Artigos

Textos produzidos a partir das conversas nas aulas de Yoga, de 2004 até hoje.
A reprodução deste material é permitida, desde que citados a fonte e o autor.



O significado espiritual surge no espaço da meditação

Um aspecto que eu quero chamar atenção hoje sobre a meditação dos Nathas, da qual comentamos em vários artigos, baseados no livro do Carlos Eduardo Barbosa, é que o espaço meta geográfico da meditação só é importante para quem está dentro dele. E mais importante ainda é quem está nesse espaço, aquele que está meditando: você.

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Yoga: o sentido da vida plena com felicidade e sem depressão

(1º lugar no Concurso de Redação da Embaixada da Índia - 2017)

A tradição do Yoga se vale tanto de textos épicos extraordinários, como a Canção do Ser Divino (a Bhagavad Gita), quanto de textos doutrinários, como os Sutras do Yoga de Patânjali.

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Yoga, o recolhimento ao coração

O sábio Patânjali, logo no início do texto dos "Sutras de Yoga", afirma que  Yoga é o recolhimento das atividades da mente ao coração, de modo a ser quem se é verdadeiramente. Então, cada um de nós, com essa intenção, e o exercício de assentar a mente no coração, vai tranquilizar-se naturalmente e assim prosseguir, em sua plenitude, sendo quem verdadeiramente é.

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Yoga, Budismo, Islamismo e o segredo da realidade futura

O sábio Patanjali, do Yoga, e o príncipe Gautama, do Budismo, surgiram quase na mesma época. Buda foi discípulo de Mahavira, o reformador do Jainismo, por volta do século V a.C., enquanto Patanjali estabeleceu a doutrina do Yoga nessa mesma época.

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Para além da meditação

Na meditação, trabalhamos a mente para nos aproximarmos de nós mesmos e isolarmos a percepção ao que é externo a nós, para cada um de nós ficar em si: na felicidade autêntica.

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Todo dia é dia de autoconhecimento

A gente pratica Yoga para ser feliz. E para isso, sossega-se a mente, reduz-se o incessante interpretar do mundo e de tudo que se percebe. Esse é um bom desafio de dirigir-se para dentro de si, pois quando se interpreta o mundo, a gente se dirige para fora de si.

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Meditação dos yogues tântricos

O Yoga deriva de uma tradição do hinduísmo, que tem como rio principal uma compreensão de sábios que ficou registrada em hinários, de forma poética, por volta dois mil anos ou mais antes da era cristã. Eram e são hinários chamados de Vedas ou revelações divinas aos profetas, os que nos fazem ver em todas as tradições. Aqueles profetas registraram suas compreensões em hinos muito bonitos, sendo quatro os principais, com milhares de versos de diferentes autores.

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Aprendendo a lidar com o medo

Há três características, em que se evita pensar muito, mas que são comuns a todo mundo: medo, orgulho e vaidade. Claro que estarão presentes em diferentes proporções, dependendo do dia, das circunstâncias e de cada um. Mas sempre estarão muito presentes, já que todas elas têm uma referência imediata com o que não é você, com o que está fora de você: com o outro ou com o mundo.

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Autodescoberta de todo dia

O principal conceito em relaxamento é entregar-se, abrir mão do controle, deixar a mente descansar: entregar-se para o seu corpo. Dessa forma, os condicionamentos que impomos ao corpo ficam fracos. O corpo fica por si mesmo. Esse momento do relaxamento talvez seja o mais curativo para qualquer tipo de mal estar, seja afetivo ou físico. Isso porque, nesse momento, o seu corpo se recupera.

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Os nove obstáculos ao Samadhi

Nos últimos encontros, temos conversado sobre a essência do Yoga: permitir que dentro de cada um de nós se revele quem nós somos: o ser autêntico, autor da sua própria história.

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Acima de tudo, o coração

Em Yoga, algumas posturas (Ásanas) sugerem alegorias para estimular a compreensão da nossa vida por um outro ponto de vista. Um exemplo é quando nos colocamos de cabeça para baixo. Nessas posturas, a cabeça fica abaixo do coração, o que seria a ordem ideal da hierarquia: intuição, pensamento, ação.

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Siga a sua intuição

A principal atitude em Yoga é ser autêntico. Isso está na origem do Yoga, para estimular cada pessoa a ser quem ela é mesmo, de verdade. E aí vem a pergunta: como é que eu descubro quem eu sou? É uma questão que pode não ser tão simples de responder, mas a chave para perceber quem somos é tentar ouvir o coração.

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Star Yoga

Aproveitando a volta de Star Wars, recomendo a leitura do livro "Star Wars e a filosofia clássica", o qual tive a sorte de ganhar numa palestra da Nova Acrópole. É uma coletânea de artigos de diferentes filósofos, cada um abordando o tema dos filmes na perspectiva de filósofos como Nietzsche, Kierkegaard e muitos outros.

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A voz da sabedoria

"Avidya", em sânscrito, conforme os sutras do Yoga, é a palavra que designa a falta de sabedoria: a percepção de eternidade, pureza, bem estar e individualidade naquilo que é perecível, impuro, desagradável e não individual. Ela seria o campo fértil para as demais perturbações da mente, causadoras do desconforto e sofrimento, talvez porque essa falta de sabedoria faz confundir o verdadeiro com o falso e daí advenham as sequências de erros de percepção, decisão, ação e suas consequências danosas.

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Mente assentada

Quase sempre há um lugar entre o tudo e o nada onde o possível se encontra. Já li, em algum lugar, que essa felicidade interior que os yogues vivenciam com a mente assentada no coração, o samadhi, vem e vai, vem e vai... e isso parece ilustrar, pelo menos, como percebo em mim a vivência do assentamento da mente em meio às solicitações da cidade.

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Um caminho yogue de felicidade por atitudes

O caminho começa com tomar atitudes que são de minha total responsabilidade. A primeira atitude a ser desenvolvida em Yoga é a de perceber onde se está. A segunda é perceber a si mesmo, no lugar ou na situação em que se está. Posso colocar-me sentado ou em pé, mas com a coluna e a cabeça na vertical e, desse modo físico, as duas atitudes básicas podem ser praticadas com bastante facilidade. Posso ficar por algum tempo percebendo onde estou e percebendo a minha respiração e, dessa maneira simples, aperfeiçoar a minha capacidade de lidar com o mundo e com as outras pessoas.

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Meditar com o coração

Há dois lugares em que meditamos: o lugar físico e o mental. Este último é o mais importante em Yoga, pois a sua prática tem o propósito de recondicionar minhas atitudes para viver melhor. Então, esse local mentalizado, "místico", no qual se medita, possibilita assentar a pessoa nela mesma. A palavra indiana "asana" (ássana é como se deve pronunciar), relativa às poses de Yoga, significa assentamento mental (para cada um estar em si).

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No meta espaço da meditação

Boa parte da prática de Yoga se dá na vida cotidiana, nas pequenas coisas do dia a dia, quando eu ajo de modo a prestar atenção ao que faço, para estar em harmonia comigo mesmo, com os outros e com o mundo. Isso exige bastante concentração, pois preciso ficar atento ao que faço e, ao mesmo tempo, a mim mesmo.

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O lugar da meditação

A tradição de Yoga e meditação parte do princípio que a realidade é filtrada pelas muitas heranças culturais que eu, você e todo o mundo tem, como ser educacional. Eu não sou simplesmente, eu aprendo a ser. Quem me ensina é a realidade, intermediada pelas pessoas que lidam comigo.

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O ser e a Roda

Em minha releitura do Yoga Sutra, prossigo pelo caminho de "kaivalyan" – "Kaivalyan Pada" –, nome do último capítulo do texto de Patânjali. Vou revendo os sutras e os vários comentários. Basicamente, há um grande comentarista desse texto, Vyasa, que é até mais lendário que Patânjali, e destacam-se também Vachaspati (Séc. X) e Bhikshu (Séc.XV) entre os históricos. Eles fazem uma discussão filosófica, conforme suas épocas. Quem me apresenta a interpretação deles é o Dr. Jayadeda Yogendra, em textos que eram utilizados no Yoga Institute, na época em que lá estive como aluno residente.

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Novidades na Meditação

Tenho aprendido muito com os livros do Carlos Eduardo Gonzales Barbosa, estudioso brasileiro de sânscrito, hinduísmo e Yoga. Os textos dele têm me ajudado a compreender, com outros pontos de vista, muitos conceitos e ensinamentos que tenho incorporado nos últimos 40 anos. E um dos novos aspectos, que me têm chamado atenção, é relativo aos rituais de meditação.

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Para fazer a natureza acontecer

Prossigo relendo o Yoga Sutra, de Patanjali. Neste momento de estudo, venho usando duas fontes: o livro do Carlos Eduardo G. Barbosa e os quatro volumes de textos das aulas do Dr. Jayadeva Yogendra, que eu trouxe do Yoga Institute. Nesse material, tenho tanto aquele com visão histórica e sintética como estes que se estendem, em cada sutra, com dezenas de páginas de comentários.

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Um mergulho pelo rio do Hinduísmo

Estive revendo o Yoga Sutra (conforme os textos do pesquisador Carlos Eduardo Gonzales Barbosa), para compreendê-lo em sua relação com o hinduísmo, desde a época conhecida como a do conhecimento revelado (os "Vedas"). O período "védico" estabeleceu uma base tão consistente que veio a determinar a principal corrente da cultura hinduísta. Essa base concretizou-se pelos textos revelados, os "Vedas", cujo saber foi mantido e divulgado, oralmente e por escrito. A linguagem dos "Vedas" seria até anterior ao Sânscrito.

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Relaxamento essencial

O relaxamento talvez seja uma das práticas mais fáceis, simples, agradáveis e efetivas e que também propicia o estado de não agir, que é cada vez mais raro na vida cotidiana, na qual seguem-se receitas ou rotinas, na maioria das vezes. Algumas delas estão profundamente instaladas dentro de mim, de você e de todo o mundo, como verdadeiros aplicativos ou programas operacionais robóticos.

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E viva o presente!

Ao longo da vida, eu, você e todo o mundo vem desenvolvendo habilidades extraordinárias para lidar com os outros, com o mundo, para ser aceito e compreendido. Isso desde muito pequeno. Cada um tem que se adaptar às várias circunstâncias, ao grupo e a si mesmo para seguir sendo incluído. Mas, de algum modo, alguns desconfortos surgem.

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Yoga Sutra Básico

Repito aqui o básico de tudo o que já disse. Os fundamentos do Yoga estão sintetizados no Yoga Sutra, do sábio Patânjali: uma espécie de livreto de cordel, no qual se sucedem cento e noventa e cinco verbetes, quase poéticos, cheios de sabedoria para viver-se bem. Em resumo, ele chama atenção para serenar a mente, ficar em paz, viver com naturalidade, evitar emoções exageradas e cultivar o Ser, em vez de cultivar aborrecimentos reais ou potenciais.

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De mim a mim mesmo

Nas situações do cotidiano, tudo pode dar errado se eu não perceber onde estou e não me perceber nesse lugar e situação. Essas duas atitudes estão associadas aos exercícios de Yoga, em que se fazem alongamentos na vertical, na lateral ou nos quais se fica sentado com a coluna ereta. Nessas posturas, dá-se especial atenção à respiração e ao ritmo pessoal. Também cultivam-se duas outras atitudes em Yoga: o desapego e a autoconfiança.

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O velho fim do mundo

A humanidade está sempre passando por ciclos de mudança, e a ideia de fim está muito enraizada no imaginário coletivo, pois está associada não apenas a transformações, mas também à morte, que está presente entre os medos e inexorabilidades da vida.

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Cinco recursos de transcendência

Os exercícios de Yoga têm o propósito de trazer a atenção para mim mesmo, para ser quem sou. E o que sou nesta vida é um todo que tem o sentido da individualidade, e que é capaz de conceber, de dar direcionamentos; de promover transformações, a partir de interações com os valores que tenho e com as demais individualidades.

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Viver o viver

Para o Sâmkhya, escola filosófica que apoia conceitualmente o Yoga, a vida tem uma origem dual, de manifestação ("prakriti") e de não manifestação ("purusha"), da qual tudo se deriva. O não manifestado é um referencial imutável em relação a tudo mais que se manifesta e, por isso, é também absoluto. "Purusha", o referencial absoluto, é um princípio universal, em relação ao qual se manifesta "prakriti", a natureza material da vida.

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A água na fonte dos símbolos e na Roda das Reencarnações

Em Yoga, não há qualquer determinação quanto à espiritualidade. O que se verifica é uma compreensão da natureza, da vida, da mente e da sociedade de forma bastante objetiva. Percebe-se também uma reverência, de inserção cultural, à mitologia indiana e hinduísta.

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Emoção, razão e desapego

O viver é um permanente registro de emoções e significados do resultado das ações minhas ou de outros. Ao longo da vida, prossegue o processo de memorização dos significados e emoções. Isso não para.

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Meditando as emoções

No momento de crise, de sofrimento, de tristeza, dificilmente consegue-se meditar. É mais fácil desviar a atenção para uma solicitação maior. Desviar o foco pode aliviar o sofrimento, mas quase sempre é apenas paliativo. O melhor é observar esse sentimento que incomoda tanto e, que em geral, é recorrente.

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Vou-me transformando no que pratico

As pessoas me dizem que a maior dificuldade que elas têm para meditar é que, mesmo quando param suas atividades, a cabeça não para, pois fica tomada pelas reminiscências, pelos pensamentos. Elas ficam dispersas e não conseguem meditar; e assim a vida restringe-se ao lidar com os problemas ou com as dispersões mentais que acontecem.

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Yoga na "Prákriti"

O trocadilho é só mnemônico, pois, na prática, a compreensão hinduísta da origem do universo diz que tudo começa com uma dualidade essencial, que é constituída por umA princípio que não se manifesta, "purusha", e simultaneamente a natureza que se manifesta, que pratica, que atua: "prákriti".

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Mude de estação enquanto você pode

Eu, você e todo o mundo é um tipo de ser mental e, por isso mesmo, se está sujeito às armadilhas da mente. Segundo o sábio Patânjali, essas ciladas (as formas de movimentação mental) são de cinco categorias: o conhecimento certo, o errado, a fantasia, o sono e a memória. Agora, vou-me ater à memória.

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Por uma vida mais contemplativa

A palavra contemplação pode ser entendida de uma forma bastante ampla, como participação, inclusive. Distintamente do que muitos podem pensar, contemplar não é apartar-se.

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Yoga, sociedade e estado de graça não são gratuitos

Na Índia, o movimento de desobediência civil potencializou o inconformismo e mais um todo de características socioculturais, políticas e religiosas próprias, com as circunstâncias de enfraquecimento do poderio da Inglaterra, na segunda guerra mundial. Tratava-se de um coletivo de enorme complexidade, para qualquer tentativa de captura intelectual, que convergiu para a independência da Índia no meio do Séc. XX.

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Yoga básico

Fazer e ser. Manter-se atento a essa dualidade é essencial em Yoga. Sou, ao mesmo tempo, a personagem, que está atuando, e o ator que testemunha o que faço. Observo e presto atenção a quem de fato sou. Assim, evito atitudes que não tem a ver com o que sou, que são danosas a mim. O jogo é de conseguir viver da maneira mais adequada a mim mesmo e a cada um dos demais, de acordo com as circunstâncias. Isso não é pouco e pode ter a compreensão estendida ecologicamente de modo bem responsável.

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A arte de não agir

Viver é agir, mas não preciso sobreagir, exagerar no agir. O cansaço é um sintoma de que estou indo além do necessário, ou pelo menos além do meu limite – senão, não precisaria "des-cansar". O não agir também é necessário, e a prática de Yoga também inclui o cultivo da não ação. Por exemplo, propõe-se o exercício de ficar sentado, em silêncio, de olhos fechados, serenando a agitação mental. Essa forma de estar sentado, com a coluna ereta (com a sua curvatura normal), e as mãos colocadas uma sobre a outra, apoiadas à altura do ventre, ou sobre as coxas, também é comum nas práticas de meditação, em que se cultiva um estado de contemplação, um estado "zen", como se diz frequentemente.

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De olhos abertos para dentro

Já disse várias vezes que os exercícios de Yoga são oportunidades para praticar as atitudes de perceber onde se está, de estar em si mesmo, de desapego e de autoconfiança. O propósito é fazer com que o cotidiano seja agradável, confortável, socialmente razoável e, assim, permitir o melhor agir.

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Aprendendo a viver e a morrer na graça divina

Em Yoga, repito, cultivo quatro atitudes essenciais, que também estão associadas aos exercícios de postura física: consciência do mundo exterior, percepção do próprio interior, desapego e autoconfiança. Perceber o que é exterior é compreender o ambiente, o que ele exige para se estar ali; enfim, o modo mais adequado de se comportar naquele ambiente. Em contrapartida, na consciência de mim mesmo, eu me percebo e referencio-me a um modelo com o qual me identifico. E isso pode suceder várias vezes ao longo da vida, continuamente.

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O desafio de ser livre

Quase sempre as pessoas se referem a Yoga de duas maneiras: como algo muito esotérico, com figuras que parecem de outro mundo e vivem experiências fantásticas de iluminação; ou como algo restrito a pessoas com grande flexibilidade corporal, verdadeiros contorcionistas. Na verdade, essas imagens são apenas caricaturas. O praticante de Yoga, além de seguir as dicas do Patânjali, é uma pessoa que resolveu prestar atenção em si, nos outros, na vida, no mundo, de modo que o seu viver seja bom para ela e para todos, e que também propicie ir além da mera sobrevivência cotidiana.

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Estudar é preciso, viver... também

Como já observei, em Yoga, dá-se ênfase ao cultivo de cinco estímulos: da pureza, do contentamento, da tenacidade, do estudo e da humildade – "render-se à vontade divina" ("ishivara pranidana"). Aqui vou destacar o estudar para compreender o contexto, em que se está. Patânjali estimula o estudo não apenas do momento atual, mas também das "escrituras", das origens da cultura atual, para compreender como se chegou até hoje e aonde se irá (mais provavelmente).

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"Dharma" de ontem e de hoje

Yoga não surgiu do nada; foi constituído ao longo da formação do Hinduísmo, o qual, como qualquer outro "ismo", é uma construção histórica, antecedida pelo cotidiano de uma sobrevivência ancestral. No crescimento de uma civilização, é criado um ordenamento que garante a sobrevivência da maioria. São estabelecidas regras, muitas vezes à força, por uma determinação de poder que cria uma ordem de convivência. Vão-se criando histórias, observando-se princípios e tudo o mais que é ordenador. Com isso, chega-se à sofisticação cultural, social e filosófica, e cristalizam-se modelos explicativos da realidade.

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Todo dia é dia de Yoga

É fácil compreender que vale praticar Yoga e meditação, mas é difícil criar condições para praticar diariamente. Vejo que há duas opções óbvias: uma delas tem a dimensão que eu quiser, de preferência o dia inteiro, pois, no fundo, estou falando de um modo de viver, sem estresse; a outra opção inclui os momentos em que sou tomado por uma situação de sentimentos intensos, positivos ou negativos. Esses momentos extremos são os mais exigentes, pois, neles eu até poderia me perder. E não há sábio que não esteja vulnerável a uma situação dessas.

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Salto vital e fugaz

Todo o mundo tem necessidade de um sentido de ordenamento, de sequência, de causa e efeito, de propósito. Por isso, criam-se modelos de compreensão, que ajudam a viver, embora não sejam a própria realidade nem substitutos para ela. O real mesmo é o "aqui e agora". Fora disso, tudo é representação, alusão, indicação no mapa, não no território.

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Organização pessoal e suporte social

Observo que, nos últimos anos, a população veio a concentrar-se nos grandes centros urbanos e que as pessoas, ao saírem de suas cidades de origem, perdem os laços com o seu ambiente e cultura familiar. Observo também que é nas igrejas, ou nos templos, que muitos encontram estímulo para um código de conduta e sentirem-se inseridos em comunidades.

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Ciclo essencial

Esta conversa surgiu às vésperas de uma mudança de ano, para pensar na lista de boas intenções para o ano vindouro, para depois da festa: um novo ciclo.

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Liberdade em jogo

Muito do que eu vivo é resultado de ações anteriores, por minha conta ou dos outros. Em ambos os tipos de ação, vejo a noção de liberdade ("moksha") presente. A minha liberdade também se relativiza com a noção de "dharma" e de "karma": uma é a percepção da ordem e do papel de cada um nela; a outra é a noção de causa e consequência, em que uma ação provoca outras.

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Esse "desejante" objeto do viver

Qual é o propósito da vida? Afinal, há algum propósito em viver? Esse é um tema desafiador. Para alguns, o viver está associado a missões. Outros usam a palavra propósito. A cada dia, mais me convenço de que viver é criar ou aproveitar oportunidades de realizar motivações, mas há muita gente boa que tira todo o drama dessa história, para torná-la mais compreensível, por exemplo...

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O ser e o sono

Minha facilidade para dormir chega a ser revoltante, mas muitas pessoas amigas me dizem que têm dificuldade para dormir. Acordam no meio da noite e não conseguem mais cair no sono. No outro dia pela manhã, acordam estressadas e cansadas. A causa da insônia frequentemente é a mesma: estão preocupadas, tentando resolver problemas na hora errada.

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Não agir seria uma forma de autoajuda

Na filosofia hinduísta, a dualidade do agir e do não agir é compreendida como algo primordial do ser. O agir é representado pelo nome "prakriti"; atua no exterior do "eu". A característica do não agir é chamada de "purusha" e é interior ao "eu".

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Agir ou não agir, eis a questão

Outro dia, um amigo perguntou: "O ego deveria ser encarado como algo prejudicial à evolução pessoal?" Para responder, quero antes recordar o que diz a pensadora Hannah Arendt, em "A condição humana". Segundo ela, há três modos de agir na sociedade: labutar, trabalhar e atuar.

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No ritmo da respiração

No texto do Yoga Sutra, não se fala de exercícios ou atividades físicas. O que ele sugere mesmo é prestar atenção na vida, ter um comportamento social adequado, auto controlado, de modo a ser incluído socialmente, poder agir ou não agir conforme as circunstâncias.

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Meditação e nossos cinco corpos

Os modelos explicativos da realidade, como o Yoga, trazem paz e segurança, na medida em que oferecem um certo ordenamento, no qual eu, você e todo o mundo consegue localizar-se. A carência de organização é uma característica humana há muito tempo, talvez de origem. Modelos explicativos da realidade ajudam a atender a essa carência fundamental.

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De mente numa boa

Vejo Yoga como estratégia de viver, com a compreensão de que se vive interpretando a vida e a realidade; que a vida é mentalizada, intermediada por modelos mentais. Ao aprofundar-me nos sutras de Patânjali, vou percebendo que ele sai da constatação da intermediação da mente e dos modelos ilusórios, para uma possibilidade de aproximação da realidade com um mínimo de intermediação. Isso seria possível com a mente em estado de serenidade, percebendo-se a si mesma como intermediadora, mas quase transparente.

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Simplesmente Yoga

O Hatha Yoga surge ali pelo século XIV, por um texto que lhe tem por título (Hatha Yoga Pradipika) e um presumido autor, Svatmarana. Nele se propõe um caminho de desenvolvimento espiritual e prática integradora de posturas, controles de energia e respiração, que seriam propiciadores da realização espiritual pelo esforço disciplinado. Ele tem raízes tântricas, quer dizer que vem de tradições familiares e não védicas. Veio a tornar-se bem popular, talvez pela ênfase corpórea, menos reflexiva, menos cognitiva, mais acessível, em geral.

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O som primordial

Na tradição hinduísta, "OM" significa literalmente o nome de Deus. Mas há uma enorme diferença na concepção do que é divino ou humano entre o hinduísmo e as tradições ocidentais. Nestas, há uma separação entre a divindade e o ser humano. No hinduísmo, não há essa separação.

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Memória e estresse

No cotidiano, vou disfarçando o estresse, porque fui educado socialmente para isso. Mas o estresse continua, numa camada muito profunda. Eu, você e todo o mundo traz o acúmulo de estresse desde a infância e mesmo de períodos anteriores, da era das cavernas. Quando se fica acordado à noite, resolvendo os problemas do mundo, também se estão reavivando memórias muito antigas, cuja mensagem para o corpo é de ameaça. Diante das ameaças, o organismo estressa-se, é levado a limites para os quais teria que tomar uma atitude e agir.

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Yoga no café da manhã

Eu, você e quase todo o mundo é muito educado socialmente, para respeitar as regras e poder conviver de forma pacífica. Mas justamente por ser muito educado, crio camadas de estresse, de tensão, que nem percebo. Quando chego ao ponto de ter consciência que o estresse aconteceu, ele já criou situações muito negativas para mim, como dores e doenças, que surgem em consequência de algo que já se estabeleceu em meu íntimo.

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Graças ao "eu"!

Na concepção da escola hinduísta Sâmkhia, a vida se dá a partir de uma dualidade básica: matéria ("prakriti") e o referencial para o qual esta se manifesta ("purusha"). Isso simplesmente surge, segundo o Sâmkhia. Não haveria, portanto, uma entidade criadora ou um tempo anterior a essa dualidade.

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Yogar-se

Vivo lembrando que Yoga é uma estratégia de vida. Por isso, praticar Yoga só tem sentido se eu fizer com habitualidade, de preferência em todos os dias. Os exercícios são alegorias, artifícios para eu criar uma disciplina: a minha própria. Tenho um bom hábito, por exemplo, de aproveitar a hora do banho para praticar alguns dos exercícios de Yoga. Vou-me alongando, praticando o que é possível fazer. Escovar os dentes é também uma oportunidade para praticar posturas verticais simultaneamente, perceber as musculaturas, encaixar o abdômen, alinhar-me. Já início o meu dia desse jeito.

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Mestre de mim mesmo

O Yoga Sutra de Patânjali, em seus 195 verbetes, faz uma verdadeira síntese de algo que já vinha sendo construído antes dele. A cultura hinduísta surge praticamente junto com a descoberta da agricultura, há uns dez mil anos a.C. Os registros dessa cultura vieram sendo transmitidos oralmente, em formato poético, como também foram os ensinamentos de Yoga e vários outros, pois assim eram mais facilmente decorados e passados para as pessoas. Seu idioma, o sânscrito, é visto como origem de muitos dos idiomas conhecidos.

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No caminho de "samadhi"

Em Yoga, há uma ênfase de caráter social, para desenvolver um comportamento tão tranquilo que consiga diminuir bastante as perturbações que o mundo social traz e as que se leva para ele. Fico em paz com as pessoas e elas em paz comigo. O início do caminho em Yoga é feito com atitudes e ações correspondentes a um código de comportamento social, que prossegue com um modo de lidar com o corpo, a mente e o espírito. Assim, faz-se um reforço: o corpo e a mente, por meio das atitudes e dos exercícios, vão estabelecendo um comportamento de liberdade ("moksha"). Estimula-se e preserva-se a liberdade em mim e nos outros.

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Livre para ser

Uma das palavras mais importantes em Yoga, é "moksha", que significa literalmente libertação, mas num sentido bastante amplo. Talvez o principal foco dessa liberdade seja o de perceber o quanto se pode desapegar de amarras, convenções, complicações; que não são tão importantes assim, mas que se transformam numa rede que prende a mim, a você e a todo o mundo, numa trama social exagerada e que impede o simplesmente ser.

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Sintonizar em "samadhi" e curtir até insônia

Tomam-se decisões emocionalmente, e grande parte da prática yogue, portanto, está focalizada nas emoções, para criar pré-condições de vivenciá-las ao mesmo tempo em que se forma o hábito de distanciar-se delas. A intenção é de não ficar o tempo sintonizado numa só "frequência emocional", como ao repetir-se continuamente um mantra.

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Plenitude na meditação

Meditar é concentrar-se em algo até sair do estado de concentração para entrar no estado de contemplação. Mantenho-me fixado em algo e daí a pouco, naturalmente, "esqueço-me" de que estou fixado naquilo e prossigo contemplando. No estado de contemplação, permaneço atento, mas não mais "tenso", concentrado. O próximo passo, então, é distanciar-me da identificação que surgiu entre mim e o objeto da concentração anterior. Como isso acontece, ninguém sabe ao certo.

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Viagem ao centro de mim

Os estilos de meditação em Yoga são basicamente dois: "samprajanata samadhi", aquele em que a identificação está presente, em que procuro compreender algo com o que me identifico; e o "asamprajanata samadhi", aquele em que não há identificação com nada.

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Testemunha de mim mesmo

Acabei de lembrar que os exercícios físicos fazem sentido, em Yoga, se estimularem a praticar algumas atitudes de vida. O exercício é muito bom sob vários aspectos, mas será ainda melhor se, ao fazê-lo, eu concentrar-me na atitude que ele propiciar: tomada de posição, tomada de consciência, desapego e autoconfiança.

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Atitudes fazem a diferença

De vez em quando, tenho que lembrar (aos meus ouvintes) que na prática de Yoga, quero ficar bem comigo mesmo e com os outros, pois, ao sentir-me bem, passo a ter algo de bom para dar, que é o meu bom astral. Quando em Yoga se diz que uma pessoa está iluminada, significa que ela está nesse estado de espírito, de completude. Os exercícios, a disciplina e as atitudes têm o propósito de levar a esse estado de felicidade. Tudo começa com as atitudes diante da realidade, do mundo social e, basicamente, são quatro as atitudes a condicionar em Yoga.

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Yoga em síntese

Yoga, basicamente, é uma das escolas filosóficas hinduístas da tradição dos "Vedas". Essas escolas remontam, na origem, há milhares de anos e propõem a compreensão da vida de um modo que permanece contemporâneo. Elas espalharam-se pela antiga Índia e fora dela; são bastante parecidas entre si e com o Budismo também (este constitui uma escola não ortodoxa, não "vêdica", do Hinduísmo). São mais complementares que antagônicas entre si. Assim como o Budismo, o Yoga (ou a Ioga, como se diz em português), acabou chegando ao Ocidente, mas sem conotação religiosa.

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Universo de possibilidades

O Yoga e outras filosofias, bem como as ciências, oferecem modelos explicativos da realidade. O compartilhamento desses modelos permitiu comunicar e assim evoluir como espécie. Os modelos serão tão bons quanto se quiser que sejam, conforme a capacidade de aplicação que tiverem. A origem remota de quase todos esses modelos é muito semelhante. Eles surgem em uma época muito anterior à escrita, mas na qual as pessoas já conversavam.

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Yogues urbanos

Vou comentar um pouco o filme "Samsara". Aliás, dá para conversar bastante sobre esse belo filme. Vou concentrar-me no aspecto que considero essencial, que é o desafio de viver o próprio tempo, a própria época. Os hinduístas sugerem que se pode desenvolver a sabedoria ao se passar por quatro estágios da vida: o tempo de aprendizagem, o de realização material, o de retiro e o de retribuição com a sabedoria adquirida (se alguém viver integralmente tudo isso, sem pular etapas). Vai-se aprendendo com a própria experiência e, em algumas vezes, também aprende-se, antes de errar, por observar e aprender com os erros dos outros.

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Emoções sem perder de vista

Agora quero comentar um pouco a questão da perda e do desapego na perspectiva do Yoga. Inicialmente, o que me ocorre é que quando vou a um velório de alguém conhecido, em geral o que faço mesmo é tentar consolar os amigos. Esse exercício de apoiar o outro, de consolar, posso trazer cada vez mais para aqueles próximos a mim, até a situação em que não há outro a apoiar senão a mim mesmo, à minha própria pessoa.

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A realidade como ela é percebida

Segundo a filosofia Yoga, há cinco modificações da mente, as quais deveriam ser compreendidas e controladas para manter-se um estado de plena atenção: o conhecimento correto, o conhecimento errado, a imaginação, o sono e a memória. Conforme Patânjali, o conhecimento correto é quando apreendo a realidade do jeito que ela é. Isso seria possível pela apreensão direta ou pela dedução lógica ou pela transmissão por alguém que tenha autoridade. O conhecimento incorreto é quando tomo o real por aquilo que não é. Ou seja, é o conhecimento cujo fundamento não é real, embora possa ser útil provisoriamente.

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Yoga e “vidagame”

Ao longo das conversas, tenho chamado atenção para o fato de que tudo aquilo que percebo e vivencio está sempre filtrado por muitas lentes, pelo sistema físico, que tem o papel de traduzir e reunir percepções. Essas se transformam em significados e emoções que passo a chamar de realidade.

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Com olhos de ver

A prática de Yoga é bastante intensa, pois desperta a atenção para focalizar o fenômeno da consciência. Isso cria uma mobilização diferente da habitual, que se dirige para a produção, para a sobrevivência, desde que eu, você e todo o mundo nasce. É claro que, antes do estímulo social, têm-se muitas experiências emotivas, pois recebe-se atenção dos adultos, quando se é criança. Há duas alimentações muito fortes de início: a afetiva e a de comida mesmo. Há também um grande estímulo para que se corresponda ao afeto e ao alimento. Depois de um certo tempo, vem a cobrança para um comportamento conforme os adultos gostariam. Até chegar o momento em que sou cobrado a produzir. Vai havendo uma pressão enorme nesse sentido. Assim, sou levado por essa corrente de produção, e esse movimento passa a ser a vida, predominantemente.

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Distanciamento para “cair em si”

Tenho conversado sobre algo essencial na prática de Yoga: a compreensão de que as relações que se estabelecem com os outros e com o mundo é ilusória. Não é ilusória no sentido de que não exista, mas porque essa relação é intermediada pelos sentimentos e pelos significados que eu percebo ou atribuo a mim, aos outros e à realidade.

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Eu “profundis”

Quero comentar um pouco mais o fato de se ter pelo menos quatro "eus". Há uma inteligência profunda ao qual raramente tem-se acesso, se é que se tem algum, mas que está presente em mim, você e todo o mundo. Exemplos dessa inteligência são o DNA e o sistema nervoso autônomo, que funcionam bem em mim, quando eu não atrapalho. É uma inteligência absolutamente evidente, embora não se possa pegá-la ou dialogar com ela.

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O "eu" que lembra

Eu, você e todo o mundo tem uma predisposição ao aprendizado e à medida que se vai convivendo com os outros, com o mundo, essa predisposição vai-se concretizando e a pessoa torna-se aquilo que está sendo. Esse processo de aprendizado vai-se dando com o registro de memória. Não sei ao certo como o registro ocorre, nem como se recupera esse registro. O fato é que a memória vai-se estabelecendo. A manifestação dessa memória é um grande desafio de controle. Em várias tradições, como em Yoga, trabalha-se o isolamento dessas reminiscências que se conseguem perceber, para olhá-las com distanciamento, compreendê-las e tentar incorporá-las ou neutralizá-las.

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Consciente com o coração presente

Para a compreensão de como é o "eu", fiz menção a uma inteligência essencial, primitiva, que antecede a inteligência lógica e racional, com a qual se está acostumado a lidar na vida social. Poderia dizer que existe um "eu" primeiro, uma consciência tão primordial, a qual nem consigo ter acesso, normalmente. Para fazer uma analogia, vou lembrar da codificação do genoma humano, o qual até consegue-se mapear, ver-se o efeito, mas não se tem acesso à inteligência que o concebe.

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Flores em mim

Por falar em prática, alguns exercícios de Yoga são complementados com "mula bandha", uma contração da musculatura da região do períneo, ("bandha", fecho, selo, contração; "mula", de "muladhara", o "chacra" da raiz, círculo virtual de distribuição de energia na região da base da coluna) e também com outros "bandhas"; todos eles têm por propósito a percepção ou o controle da energia, da atividade orgânica.

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A divina consciência de cada dia

Na origem da filosofia hinduísta estão os "Vedas" e a partir deles, o Sâmkhya, o Yoga, o Vedanta (final dos "Vedas") e outras escolas de pensamento. Há um aparente ateísmo no Sâmkhya e, de certo modo também, no Vedanta, mas há um aparente teísmo no Yoga. No fundo, tudo está meio misturado: há uma compreensão da consciência como princípio divino como algo que não é personificado e há também, culturalmente, religiosamente, o costume de personificar a consciência, a divindade primordial.

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Consciência além da vivência

Na base da compreensão do que é Yoga, como já observei com outras palavras, há uma dualidade essencial: a consciência e a natureza, em que a consciência é um referencial não manifestado ("purusha"), enquanto a natureza é o que se manifesta ("prakriti"). Ambas estão sempre juntas, não há separação. Então, tudo aquilo que é manifestado – incluindo os pensamentos, as visões, os sonhos e a matéria, seja ela de que natureza for – é "prakriti". No entanto, toda a manifestação acontece em relação a um referencial não manifestado, "purusha".

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PhD em mim mesmo

Um dos tópicos que o sábio Patânjali acentua em seus textos é o autoconhecimento. Quando trata do código de comportamento, logo no início do Yoga Sutra, primeiro ele afirma que Yoga é a cessação dos turbilhões mentais, depois comenta as modificações da mente, que são basicamente o conhecimento (certo ou errado), a fantasia, o sono e a memória.

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Yoga para todos

São vários os caminhos do Yoga. Segundo o sábio Patânjali, há uma prática de Yoga adequada a cada tipo humano. Como acabei de comentar, no Bhagavad Gita (talvez o mais famoso texto hinduísta), em seus dezoito capítulos, são feitas referências aos vários tipos de Yoga. Então, por exemplo, para as pessoas ativas, bastante trabalhadoras, o mais adequado é o "Karma Yoga". É o Yoga da ação, mas desinteressada dos resultados dessa ação. Faz-se algo porque é preciso que seja feito. Já a pessoa de natureza devocional vai ter mais afinidade com o "Bhakti Yoga". Essas pessoas dedicam-se a trabalhos religiosos, à divindade. Os devotos Hare Krishna são exemplos desse grupo de pessoas.

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Nos passos de Patânjali

Na tradição hinduísta, há seis linhas filosóficas ortodoxas. As duas com as quais tenho mais proximidade são o Sâmkhia e o Yoga. Sâmkhia é a estruturação do conhecimento essencial e Yoga é a compreensão da mente, da alma. Nesse contexto, meditar é a prática fundamental, porque a integração das percepções se dá num estado meditativo, de plena atenção. Desenvolver essa plena atenção é característica de toda a tradição hinduísta. Pode-se desenvolver a prática de meditação por vários caminhos.

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Serena - mente - consciente

Como venho comentando, na compreensão hinduísta, tudo o que existe tem uma dupla natureza que forma uma unidade em si: manifestação ("prakriti") e não manifestação ("purusha"). A intermediação entre uma e outra é feita pela mente. O meu processo mental de intermediação e codificação da realidade está sempre ocorrendo, e assim eu vou lidando com a realidade que percebo e compreendo. A manifestação gera percepções e estas vão-se tornando complexas, vão criando uma trama, um envolvimento. Essa realidade interativa é bastante solicitante, e o processo mental deixa tomar-se por completo pelas interações, porque ele tem, pela sua natureza, que interagir com tudo o que lhe aparece.

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Mergulho no lago da consciência

Yoga também poderia significar prestar atenção, com as sugestões do sábio Patânjali. Algumas delas são de negação, de alerta; outras são afirmativas, de estímulo. A principal mensagem é cultivar o contentamento e ser persistente, principalmente em cultivar a felicidade (a minha, a sua e a dos outros). Também se enfatiza a compreensão de que eu, você e todo o mundo é criatura divina e terrena, ao mesmo tempo. Sou também constituído de uma matéria que se manifesta e de uma outra que não se manifesta. Essa última constitui uma essência referencial, que possibilita perceber as manifestações, mas que não se altera com elas (não está nem aí). Nesse jogo das manifestações de viver neste mundo, o propósito de praticar Yoga é agir (ou mesmo não agir) com atenção para manter-se atento, para que a mente mantenha-se no presente (nem no passado nem no futuro), de modo que a natureza manifestada corresponda ao referencial essencial (porque este está sempre no presente; ele é o presente).

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Manual da mente para iniciantes

Quando surgiu o Yoga Sutra, de Patânjali, já existiam, de forma dispersa e não sistematizada, os conceitos de Yoga, pois tratava-se de uma prática milenar. Era uma tradição oral, transmitida por gurus para os discípulos. O sábio Patânjali, por sua vez, tem um surgimento lendário, que pode ter acontecido entre o quinto século anterior e o quinto século posterior a Cristo. Há essa indeterminação, porque havia o hábito de muitos sábios atribuírem seus textos a alguém muito admirado, em vez de assumirem a autoria das obras. Isso era comum, tanto na Índia quanto na China. Então, na história da Índia, há vários tratados em temas diversos (Yoga, Gramática, etc.), cujos autores têm o nome Patânjali. Não se sabe bem quem ele é, no entanto, pode-se dizer que foi um precursor dos psicólogos atuais, na medida em que modelava o comportamento da mente humana, com tanta profundidade, já naquele tempo.

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Ser, escolher e escolher ser

No cotidiano, tenho que priorizar entre o que acho mais importante ou o que me solicita mais. Isso é um pouco estressante, se houver alguma dúvida envolvida na decisão, por que quase sempre a escolha de uma opção determina a rejeição de outra. Em Yoga há uma sugestão de considerar, nas decisões, um certo jogo de contraponto das dualidades – manifestado ou não manifestado, permanente ou impermanente. Essa ponderação ajuda a decidir o que é mais importante nas questões mais profundas, que contrapõem, por exemplo, o ter ou o ser.

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O essencial e o carrossel

Um aspecto fundamental em Yoga é o de compreender as dualidades: manifestado e não manifestado, mutável e imutável, passageiro e permanente; que são contrastes preciosos nas linhas de pensamento do hinduísmo. Quero, então, relacionar essa compreensão com o estímulo a desenvolver o hábito de ficar atento, para estar presente e assim viver plenamente.

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Guarani Sutra

Outro dia, ganhei de um amigo (o premiado ilustrador Fernando Lopes) um livro fascinante e surpreendente: "Tupã Tenondé – a criação do Universo da Terra e do homem segundo a tradição oral guarani", de Kaka Werá Jecupé. Descobri nesse livro que os guaranis têm uma concepção de mundo, de origem da vida, de alma e de divindade muito semelhante à concepção hinduísta.

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O bem, o mal e o meio das virtudes

Como já comentei, o código de comportamento do sábio Patânjali lembra ensinamentos ("yamas") que orientam o que controlar: evitar ofender (e qualquer violência à vida), evitar a mentira, evitar o roubo, evitar a dispersão do Ser (em exageros de qualquer ordem) e evitar a inveja ou a cobiça. Esses são controles simples, mas dentro de uma hierarquia. Nesse código, em primeiro lugar, vem o respeito à vida, não ofender ninguém. Isso vem até antes da verdade, que, na filosofia hinduísta, não é tão importante quanto a vida. Depois do respeito à verdade, então, viria o respeito à propriedade alheia e daí por diante.

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O bem, o mal e o meio

Agora, quero falar um pouco sobre o "Pequeno tratado das grandes virtudes", do filósofo francês André Comte-Sponville. Esse livro tem tudo a ver com os dez ensinamentos do sábio indiano Patânjali, que constituem o código de ética de Yoga. Também é comparável aos textos do mestre atual Swami Dayananda Saraswati, expoente do Vedanta, que é uma espécie de suprassumo da filosofia hinduísta.

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Bom astral como estratégia de vida

Praticar Yoga e meditação é também cultivar o bom astral; cultivar um lugar agradável, relações pessoais agradáveis, relação agradável com o mundo. Quanto mais "bom astral", melhor. Para isso, tenho um aliado físico e natural: o cérebro. Ele tem um padrão de comportamento que reforça qualquer tendência que eu tenha comunicado a ele, mesmo que inconscientemente. O hipotálamo é o responsável por esse reforço cerebral: se eu estiver de mau humor, ele faz o humor ficar ainda pior; se eu estiver bem-humorado, ele vai reforçar esse bom humor. Ao cultivar situações positivas, um modo positivo de ver a vida, o meu cérebro vai condicionar cada vez mais o bom astral.

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"Samadhi" e múltiplas vivências na prática

Este tema é tão importante, que tenho de voltar a ele, para ampliar a compreensão. O caminho do "samadhi" leva a dois tipos de meditação: "samprajnata" e "asamprajnata". No primeiro tipo, eu concentro-me em algo, com o qual me identifico, com o propósito de desapegar-me, em seguida, dessa identificação. Observador e objeto fundem-se, passam a ser uma coisa só. No segundo tipo, não há identificação. Eu percebo a minha individualidade divina e a partir daí, abro mão dessa individualidade. Ao perceber-se divino, o individual deixa de fazer sentido.

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Amorosidade na prática de meditação

Um propósito da prática de Yoga e meditação é harmonizar a vida, por meio de uma técnica muito simples: prestar atenção no que se está fazendo; fazer aquilo que é preciso para prosseguir no mundo exterior e, ao mesmo tempo, dedicar-se a si mesmo.

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Um oceano além do espaço-tempo

A prática de Yoga e meditação baseia-se numa concepção hinduísta, segundo a qual (já comentei) todo o mundo tem cinco naturezas simultâneas, como se fossem diferentes corpos integrados em um só: o feito de comida, o de emoções, o de significados, o supramental (dos contextos) e o espiritual.

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Mente e memória tranquila

Vou repetir algumas vezes que a minha inspiração e a linha de orientação destas conversas segue o texto clássico "Yoga Sutra" (o Cordão do Yoga), que é como um rosário de contas, em que cada uma delas vai expondo uma orientação do sábio indiano Patânjali (séc. V a.C.). São 195 verbetes que descrevem o que é Yoga. Esses ensinamentos estão dirigidos para a vida mundana. Tratam do modo como se percebe o mundo, a personalidade humana e suas interações.

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A cura está em mim

Nos exercícios de Yoga, inicio percebendo meu próprio corpo. Ao percebê-lo, trago a atenção do mundo exterior para mim mesmo. Depois trago a atenção para os sentimentos, para as emoções, para os pensamentos e com isso vou-me aproximando, cada vez mais, da divindade que há em mim.

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Respirar e viver bem II

Entendi que praticar Yoga é uma estratégia de vida. É um modo de viver que estimula a cultivar atenção na vida, de tal modo que eu seja uma pessoa adequada socialmente e assim tenha tranquilidade para cuidar da minha unidade pessoal: corpo, mente e espírito. Mas isso tem início com a base social, porque eu sou um ser social. A partir dessa compreensão, posso vir trazendo a atenção, cada vez mais, para perto de mim, e passar a dar maior atenção à energia, à mente, ao espírito.

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Respirar e viver bem

Como dizia Picasso, a gente demora muito a se tornar jovem. Mas, uma das principais características humanas talvez seja a demora em vir a ser o que se é. Desde o surgimento dos primeiros humanos, eu, você e todo o mundo nasce de modo prematuro, com o corpo ainda muito frágil, extremamente dependente de todos e de tudo o que está à volta. Depois, vai-se crescendo, levado, cada vez mais, pelo mundo social e distanciando-se de si próprio. No entanto, um artifício de que disponho para aproximar-me da minha essência é, por sorte, o principal processo da minha vida: a minha respiração.

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O futuro pelo retrovisor

Outro dia ouvi alguém dizer: "o passado é história, do futuro ninguém sabe, e o hoje é um presente". De fato, o que vejo mais à frente está no espelho retrovisor, por onde vejo muitas coisas que me podem dar segurança, porque já passei por elas; tenho informações e memória. No entanto, planejo, pauto a minha vida por projeções. Porém, é importante eu ter a clareza de que essas projeções estão nítidas apenas no meu retrovisor, que é o que tenho disponível. Por isso, agora, quero recordar o que comentei sobre receptividade, afetividade; sobre como é importante ser capaz de perceber a sorte, o que está à disposição, e assim entregar-me a um futuro que se vá deslumbrando ou se realizando, independentemente daquilo que passa pelo meu retrovisor. Afinal, o que de fato vai acontecer, ninguém assim como eu sabe.

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Receptividade e entrega

Agora eu quero comentar um pouco "Os segredos da vida", de Elizabeth Kübler-Ross. Os tais "segredos" são paciência, percepção do tempo, entrega, amor, esperança, entre outros temas. E isso tem tudo a ver com as conversas de Yoga e meditação. Lembro de quando estava em Mumbay, no Instituto de Yoga, e o Dr. Jayadeva Yogendra dizia que a principal atitude a desenvolver, nesta época atual, seria a receptividade. Observo que as atitudes de receptividade e entrega são bem próximas.

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Criatividade, OM e o sentido da vida

O tema da criatividade e inovação passou a me interessar bastante, desde 1995, a partir de quando tive oportunidade de estudá-las para aplicar em ambientes empresariais. Tive muita sorte na época de conhecer pessoalmente excelentes especialistas, como Eunice Soriano de Alencar, Edward de Bono e também a equipe da Creative Education Foundation em Buffalo, NY, USA. Conforme me ensinaram, há quatro etapas fundamentais da criatividade, que são: (1) o estudo e pesquisa da situação a resolver ou compreender; (2) a saturação, quando o estudo completou a capacidade de abarcar os processos necessários à compreensão, mas parou aí; (3) o insight, quando se está saturado da intenção e do conhecimento necessário para descobrir algo novo e, de repente, do nada, vem a ideia genial ou a solução do problema; e por último, (4) a implementação, quando a ideia é colocada em prática.

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"Samadhi" está à disposição

Uma das primeiras afirmações do Yoga Sutra de Patânjali diz: "Yoga é a cessação dos turbilhões da mente". Seria bem mais complicado dizer que é um estado de não identificação com as manifestações da consciência, a qual está presente, mas não se identifica com coisa nenhuma. É essa complicação que eu quero esclarecer.

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Muito além do jardim

Nesta conversa, quero trazer um pouco mais de reflexão sobre as vivências além da evidente no espelho do dia a dia. Já comentei a interpretação hinduísta de que, na realidade, sou muito mais do que um corpo feito de comida, e tenho a composição de várias existências simultâneas, em vários "corpos". Falei de cinco corpos. Agora, para simplificar, vou sintetizar em apenas três (como se isso fosse pouco): o da ação física (feito da comida que assimilo); o emocional (mental) e o corpo sutil (espiritual, da não ação). Enquanto vivo, conscientemente ou não, eu me identifico com esses meus corpos. Quando morrer, passarei por um processo de "desidentificação" em relação a eles.

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Yoga e atitudes na vida

Na tradição da escola que me orientou (The Yoga Institute, Mumbay, Índia), indicam-se quatro atitudes fundamentais ("bhava"), que devem ser interiorizadas por quem pratica Yoga, tanto no exercício de uma postura ("ásana") como na vida diária, de modo a serem incorporadas à personalidade.

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Recondicionar é preciso

Conforme Patânjali, há cinco atividades mentais que frequentemente afastam a pessoa da realidade, do presente. Elas seriam: o conhecimento certo ou o errado, a ilusão, o sono e a memória. Patânjali sugere que essas modificações do estado mental de presença sejam controladas e até esvaziadas, para não se ficar carregado de pensamentos ou de possibilidades de identificação mental com o que não é realidade. Quando me identifico mentalmente com qualquer dos resultados dessas cinco situações, eu me perco da realidade, deixo de estar presente, de estar aqui e agora.

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O caminho do Yoga

Para minha sorte, fui apresentado ao Yoga Sutra nas aulas do Yoga Institute, nos idos 1983. Os quatro volumes dos comentários ao texto pareciam desproporcionais à brevidade do original. Nas aulas, às seis da manhã, o professor, o PhD. Jayadeva Yogendra, filho do fundador do instituto, nem se abalava com a entrada do leiteiro, do verdureiro e de outros, que diariamente vinham nos abastecer bem cedinho, nos arredores de Mumbay. Ele também não perdia a paciência com a dificuldade que os alunos ocidentais (todos bem graduados) demonstravam, para aceitarem os conceitos do sábio Patânjali e de seus comentaristas.

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O social, o sutil e a síntese divina

Embora, em Yoga, haja a premissa essencial de eu estar presente, eu não fico meditando por todo o tempo e, por muitas vezes, estou "no piloto automático". Então, posso perguntar: qual dos meus "eus" está presente habitualmente? Quando estou acordado, o sujeito das minhas ações, o "eu" social, habitualmente está presente (quando estou no automático, não tenho muita certeza de quem está mesmo presente). Quando estou dormindo, então, quem será que atua nos meus sonhos? Seria um outro "eu", sutil? No sonho, eu não estou em estado de vigília, mas sim, num estado onírico. Talvez por isso, eu, você e todo o mundo tenha dificuldade para lidar com a convivência do mundo social com o mundo sutil. Há falta de prática, não de sonhar, mas de tentar esclarecer e compreender os sonhos em relação à vida social.

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A resposta essencial

Percebo na prática de Yoga, que a proposta é cultivar a paz, a tranquilidade, a libertação ("moksha", em sânscrito). Conforme a tradição hinduísta, esse propósito é a libertação da "roda do sofrimento dos muitos nascimentos e vidas", ou seja, não precisar passar outras vezes pelas mesmas experiências de dor. Uma das dicas do sábio Patânjali (e dos que, a partir dele, transmitiram a tradição de Yoga) é privilegiar o bom humor, o bom astral, as oportunidades de felicidade. Cultivar desde já a felicidade e a alegria.

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Eu, mim, eu mesmo...

Gosto muito desse livro "A física da alma", do físico Amit Goswami. Por meio dele posso observar uma aproximação da física com o que a tradição hinduísta compreende da natureza da vida, particularmente da natureza da alma. Vejo a ciência destacando a consciência como referência principal na observação dos fenômenos. Um destaque fundamental: é a consciência que cria a realidade percebida. A realidade acontece com a interferência da consciência. A vida é formada por movimentos incessantes que criam possibilidades o tempo todo, e essas inúmeras possibilidades se realizam a partir do momento em que a consciência interfere.

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Yoga, libertação e realização de consciência

Compreendi que Yoga é um modo de viver, um estilo de vida, melhor ainda: uma estratégia de vida. Essa estratégia tem por princípio e propósito a liberdade, em qualquer acepção que essa palavra possa ter. Claro que o limite da minha liberdade é dado pelo outro, com quem estou interagindo. Ao prestar atenção nessa pessoa, estou tratando as condições da liberdade: a minha liberdade no mundo e com os outros. Liberdade para viver plenamente a vida.

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Nossos cinco corpos

Ao longo dos anos, a compreensão do corpo também vem sendo objeto de muito estudo e reflexão. Em distintas tradições, budista, judaica, taoísta, afirma-se a coexistência de outros corpos além do físico e visível. Percebi que também é assim na tradição hinduísta: eu tenho, você tem e todo o mundo tem cinco corpos. Eles seriam modos de fazer referência a processos e componentes que podem ser destacados, para melhor compreender-se a complexidade da vida: do que é mais denso até o mais sutil.

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Repetição e desapego no cotidiano

Chega de sofrer. Tanto os hábitos quanto os vícios formam-se por repetição; ambos têm essa mesma natureza: a repetição. Se o ser humano (eu e você) tem muita tendência ao sofrimento, então, se alguma coisa valer a pena ser repetida, que seja para trazer o bem, para reforçar o sentido de alegria, de felicidade, de estar bem com o mundo e com as pessoas. A fixação no hábito de sofrer é imobilizadora, não permite a transformação pessoal e, principalmente, atrapalha a percepção da essência da vida em mim, em você e em todo o mundo.

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Repetição e desapego

A prática de Yoga é uma estratégia de vida. O "Yoga Sutra" vai fundo na maneira de compreender a vida, na psicologia do ser, na alma. Esse texto quase legendário deveria chamar-se: "Alma: manual do usuário" (como disse o professor Pedro Kupfer, em homenagem ao sistematizador ainda mais legendário do Yoga, Patânjali).

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Yoga é meditação?

Não propriamente, mas compreendi que têm tudo a ver entre si. Yoga é a cessação dos turbilhões mentais, dos pensamentos incessantes, do perder-se na imaginação, do abandonar-se no sono, do conhecer ou do reconhecer. Yoga constitui princípio e prática de vida atenta ao ser (consigo) e ao existir (com os outros no mundo). Meditar é um dos métodos, das práticas, dos artifícios para habituar-se a viver desse modo atento.

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