O significado espiritual surge no espaço da meditação

Um aspecto que eu quero chamar atenção hoje sobre a meditação dos Nathas, da qual comentamos em vários artigos, baseados no livro do Carlos Eduardo Barbosa, é que o espaço meta geográfico da meditação só é importante para quem está dentro dele. E mais importante ainda é quem está nesse espaço, aquele que está meditando: você.

O que os sutras do Yoga enfatizam, mais até do que os textos anteriores na história do Yoga, é a essência divina, especial, que cada um de nós é por toda a vida. Assim, quando você, serenamente traz a mente para o coração, você está se dando a oportunidade de ser quem você é verdadeiramente, naquela circunstância em que você está.

Afinal, esse momento em que você está meditando, dentro do seu espaço pessoal, virtual, em que você está sozinho consigo mesmo, você é único. Isso é pouco usual, pois raramente temos essa oportunidade, já que estamos sempre em contato com alguém, seja um estranho ou um conhecido. E às vezes acontece de estarmos sós, deitados, mas pensando no noticiário do dia.

Então é raro esse momento de meditação, em que você faz o recolhimento, cria um espaço que é só seu e vai se concentrando. E ele pode ter o dom de abrir pra você um hábito de perceber o significado da sua vida. Talvez esse seja o ponto principal. Não tanto o espaço em si, não tanto a alegoria das oito direções e do que cada uma delas representa.

Claro que aquela circunstância, em que você está meditando, é muito especial por ser única. Portanto, o que vai se revelar para você naquela hora provavelmente vai ser diferente do que vai se revelar em outros momentos do dia a dia. Afinal, cada circunstância em que você está oferece uma nova oportunidade de percepção de significado.

Assim, quando você faz esse recolhimento ao coração é como se você tornasse aguda a sua capacidade de percepção do que é essencial. Sua mente fica isolada, sem precisar ficar interpretando a realidade. Então, é como se você estivesse em um estado apurado de percepção, porque a sua interpretação intelectual ficou recolhida.

Então, você fica lá no seu núcleo essencial, aquele que não precisa interpretar nem perceber nada para compreender o que está acontecendo. E você, nesse esse estado de espírito, também pode perceber os estados de espírito das outras pessoas.

Você, enfim, passa a perceber a realidade com esses olhos mais internos, que não dependem de analisar, atribuir valores ou fazer contrastes para tirar alguma conclusão. Nesse estado de capacidade aguçada, você vai descobrir quem você é, o significado da sua vida, a sua vocação, tudo sem palavras. Simplesmente você vai se sentir impregnado desse significado.

E como fica o cotidiano, já que não passamos o dia inteiro meditando?

No dia a dia, cada circunstância vai permitir a você a sua vivência nessa circunstância. Logo, você terá uma oportunidade maravilhosa de compreender os muitos significados que as circunstâncias lhe propõem.

E se você tiver se habituado a esse recolhimento mental no seu coração, de tal modo que você mantenha essa capacidade aguda, focalizada de perceber a realidade sem a necessidade de interpretá-la, a sua vida ficará bem mais interessante e plena de significado.

Você continuará sendo você mesmo, porém, fazendo as tarefas com desapego e entusiasmo, sem tornar nenhuma delas personalizada. Faz porque tem que ser feito, sem se preocupar com o resultado da ação.

Assim, você vive de forma plena, com a mente recolhida no coração, o mais possível, pois parte dela sempre é operacional. Você passa a ser duas pessoas ao mesmo tempo: aquela que está participando das circunstâncias e aquele ser essencial que percebe o significado das ações, mas sem ter que agir, com o desapego de um ser espiritual que observa e orienta.

Se, de outro modo, abrirmos mão desse significado espiritual da nossa vida pelo poder material que podemos ter, passamos a exercer poder sem significado. Seria o mesmo que ter o espaço metageográfico perfeito, todo arrumado, e colocar um ser vazio no meio, fazendo de conta que está meditando.

Thadeu Martins em conversa com Ricardo Borges 

      

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