Meditação dos yogues tântricos

O Yoga deriva de uma tradição do hinduísmo, que tem como rio principal uma compreensão de sábios que ficou registrada em hinários, de forma poética, por volta dois mil anos ou mais antes da era cristã. Eram e são hinários chamados de Vedas ou revelações divinas aos profetas, os que nos fazem ver em todas as tradições. Aqueles profetas registraram suas compreensões em hinos muito bonitos, sendo quatro os principais, com milhares de versos de diferentes autores.

Esses hinos orientaram os caminhos da cultura hinduísta. Com o passar do tempo, ao longo destes muitos séculos, foram sendo acrescentados vários outros textos, com diferentes estilos literários, embora quase todos poéticos, talvez porque assim a memorização seria facilitada.

No entanto, por uma forte adesão ao princípio da não violência, que caracterizava uma de suas religiões mais antigas, o jainismo e uma filosofia surgida no século V, antes da era cristã, o budismo, os indianos tornaram-se bastante suscetíveis a invasões. E de fato, a partir da época de predominância budista, a Índia foi muito invadida por outros impérios, que traziam suas próprias tradições.

Como resultado, alguns conhecimentos ancestrais foram reduzidos a ambientes de pequenos grupos, de seitas ou de famílias, que se mantiveram seguindo a orientação védica, porém fazendo acréscimos, que posteriormente se transformaram em tradições familiares.

Enquanto a tradição védica é monolítica, as tradições que se foram adicionando eram difusas, mais espalhadas, como o estuário de um rio. E esse conjunto de tradições familiares foi chamado de Tantra.

A cultura tântrica forma-se, portanto, de tradições familiares, de um modo difuso, que foram brotando dentro da cultura hinduísta. Entre essas várias tradições tântricas do hinduísmo, uma delas se destaca para nós, que gostamos de Yoga: a tradição tântrica dos Nathas.

Foram os Nathas que mantiveram o Yoga vivo, pois este quase havia acabado na época do Budismo na Índia, que durou cerca de mil anos. Nesse período, o Brahmanismo ficou meio apagado enquanto o Budismo brilhava em quase todos os reinos. Foi graças aos Nathas que a tradição do Yoga se manteve e, por isso, nós a podemos praticar hoje em dia.

O Budismo, o sufismo e outras vertentes de pensamento, no entanto, absorveram muito do Yoga, passando a se utilizar dos fundamentos e das técnicas do Yoga, acrescido, porém, de suas respectivas compreensões filosóficas.

Já os Nathas mantiveram a tradição original do Yoga. Um dos sábios Nathas, Gorakshanatha, durante a Idade Média, escreveu o famoso texto do Hatha Yoga Pradipika. Menos conhecidos, no entanto, são os seus rituais de meditação, que estão muito bem descritos no livro “A meditação dos Yoguis”, do Carlos Eduardo Gonzales Barbosa. E você pode adotar esse ritual em sua meditação diária e assim experimentar pessoalmente a magia dos Nathas.

Siga esta breve descrição: comece por estabelecer um centro - o local onde você estiver sentado -, depois, imagine um espaço, como uma superfície líquida que vai até o horizonte a partir do seu coração; esse será o seu espaço metageográfico; na sua frente imagine o nascer do sol; por trás o céu ainda noturno; à direita, lá no horizonte, a lembrança dos seus ancestrais e mestres; à esquerda, lá no outro lado do horizonte, uma visão do futuro que você almeja.

Dentro desse espaço pessoal, você sente o despertar da consciência, a afirmação do seu inconsciente, a gratidão pelo conhecimento herdado e o entusiasmo para projetar o seu futuro (mesmo que seja apenas o dia de hoje).

Claro que você pode acrescentar a isso o desejo de, simplesmente, o seu dia ser bom, de se sentir bem consigo e com os outros. Você pode até focalizar um objetivo específico, colocar uma intenção de realizar-se aquilo que você precisa.

Mentalize, então, para que tudo seja bem sucedido, para você e em harmonia com os demais. Ao fazer isso, você condiciona todas as suas células num mesmo propósito. E isso tem efeito e permanência pelo menos por um dia.

Talvez você esteja agora com vontade de ler o livro citado, que descreve por completo o ritual de meditação praticado pelos Nathas, um ritual tântrico que nós podemos incorporar ao nosso dia a dia. Vá em frente.

Thadeu Martins em conversa com Ricardo Borges

      

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