Autodescoberta de todo dia

O principal conceito em relaxamento é entregar-se, abrir mão do controle, deixar a mente descansar: entregar-se para o seu corpo. Dessa forma, os condicionamentos que impomos ao corpo ficam fracos. O corpo fica por si mesmo. Esse momento do relaxamento talvez seja o mais curativo para qualquer tipo de mal estar, seja afetivo ou físico. Isso porque, nesse momento, o seu corpo se recupera.

 Portanto, essa prática dá oportunidade ao corpo de tornar-se plenamente saudável. Então, sempre que você respirar, meditar, relaxar ou outra atividade, tente imbuir-se da atitude de entregar-se a essa atividade, você estará abrindo mão dos muitos condicionamentos a que habitualmente se submete.

Entregue-se, deixe o coração e o corpo se conectarem um ao outro, sem intermediação mental. Além de ser muito bom, porque estará em sintonia com a sua natureza essencial, a que reside em seu coração, você estará se livrando de uma infinidade de males potenciais.

O corpo se livra de muitos desses males por conta própria, mas você poderá ajudá-lo. Entregue-se a esse seu momento de respiração, de relaxamento, de meditação. Você estará tratando a essência da encrenca: a sua própria mente, que se fixa em remoer questões complicadas sem resolvê-las.

O papel do “eu da mente” é fazer a comunicação entre o “eu do coração” e o “eu do corpo”. Então, a mente tem uma responsabilidade extraordinária, pois ela tem que prover o nosso conforto e a nossa tranquilidade. Mas, por isso mesmo, muitas vezes ela nos enrola, para fazer a realidade parecer mais confortável.

Quando relaxamos e diminuímos a atuação da mente, por meio da entrega, o corpo e o coração passam a se conectar diretamente. Ou seja, a mente sossega e para de influenciar o corpo, ou pelo menos reduz bastante essa influência e seus condicionamentos. Principalmente, reduzem-se aqueles condicionamentos negativos que já criaram vínculos afetivos em nossa memória.

Todos nós temos uma história pessoal. E nessa história de vida, houve, certamente, momentos difíceis. Alguns deles já estão bastante passados no tempo, que nem nos lembramos mais, porém eles voltam quando estamos sozinhos ou quando estamos em situação semelhante àquela ocasião original, em que o momento ruim aconteceu. São as questões não resolvidas afetivamente para cada um de nós. Todo mundo tem alguma dessas.

Tais situações se revelam em alguns comportamentos recorrentes que temos e que geralmente nos prejudicam, pois os repetimos frequentemente. E têm quase sempre a mesma causa afetiva.

Quando nos entregamos, ao relaxamento, por exemplo. conseguimos neutralizá-las bastante. Mas você pode ir um pouco além nessa trilha pessoal e se perguntar: “Por que estou sentindo isso, outra vez? Qual é o nome desse sentimento? Está associado a quê? A qual situação passada? Com que tipo de pessoas?” Com essas perguntas, você pode ter um insight e chegar até a origem da sua questão pessoal, ainda não ou mal resolvida.

Patanjali, o primeiro mestre de Yoga, diz que essas nossas percepções são para sempre, não nos livramos delas; mas que, no entanto, nós podemos conviver com elas, de modo a conseguir neutralizá-las e nos libertar da nocividade que elas nos trazem.

Então, podemos praticar um exercício de auto-observação, no qual verbalizamos (dizemos para nós mesmos em voz alta) qual é o problema, em uma frase bem sintética.

O desafio é chegar a essa frase-síntese da questão pessoal que nos condiciona a não estar bem, a não sermos quem de fato somos, que nos deixa fora da realidade. Você ficará bem impressionado com a melhora da sua vida depois de descobrir e verbalizar essa frase-síntese da questão que você isolou para tratar.

Você, também em voz alta, poderá dizer que se dispõe a sempre reconhecer as situações em que essa questão voltar a aparecer, para não se deixar dominar por ela, para neutralizá-la, enfraquecê-la, porque, a partir de então, você será mais forte do que ela. Ela perdeu o poder da obscuridade.

Para orientar esse exercício, sugiro um livro preparatório que poderá servir de guia: “O caminho da autotransformação”, de Eva Pierrakos.

Então, prossiga, com exercícios de relaxamento e com auto-observação das suas percepções, de modo a fortalecer a sua disposição de bem-estar.

Thadeu Martins em conversa com Ricardo Borges


      

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