Um caminho yogue de felicidade por atitudes

O caminho começa com tomar atitudes que são de minha total responsabilidade. A primeira atitude a ser desenvolvida em Yoga é a de perceber onde se está. A segunda é perceber a si mesmo, no lugar ou na situação em que se está. Posso colocar-me sentado ou em pé, mas com a coluna e a cabeça na vertical e, desse modo físico, as duas atitudes básicas podem ser praticadas com bastante facilidade. Posso ficar por algum tempo percebendo onde estou e percebendo a minha respiração e, dessa maneira simples, aperfeiçoar a minha capacidade de lidar com o mundo e com as outras pessoas.

Se a sensação principal for positiva, permaneço, se não, vou-me embora ou procuro um melhor posicionamento na situação. O que evitarei é permanecer em desconforto, pois, isso tende sempre a piorar.

Duas atitudes adicionais estão associadas à apreensão de valores e comportamentos e à ação propriamente dita. A primeira delas ocorre quando eu faço o meu corpo inclinar-se para a frente, expiro o ar dos pulmões e, desse modo, entrego-me, desapego-me até do ambiente em que estou. Nessa inclinação torno-me vulnerável e abro mão de uma condição elementar de defesa da minha vida. Também quando me coloco de cabeça para baixo, com as pernas para cima, fico igualmente entregue e vulnerável: exemplo limite de desapego.

Nessas duas posições, aproveito para desenvolver a atitude de desapego, do deixar a vida seguir seu próprio rumo. Essas são condições preparatórias, para eu agir com mais liberdade e leveza. A quarta atitude é a de autoconfiança para o agir. Exercito essa atitude quando me inclino para trás, inspirando, expandindo a musculatura frontal.

Essas quatro atitudes têm como propósito o agir no mundo. À medida que as desenvolvo, vou reunindo as condições para ser quem sou. Esta é a quinta e principal atitude em Yoga: ser quem sou, com autenticidade, com liberdade. Ambas me constituem de modo complementar: a liberdade e a autenticidade de ser quem eu sou, mesmo que haja todo tipo de pressão social para eu apenas exercer personagens.

Porém, no mais das vezes, isso é bem exigente e pode ser complicado, pois exige que eu faça um bom equacionamento do lidar com os outros, sem ofendê-los ou agredi-los, ao mesmo tempo em que preservo afirmativamente quem eu sou, independentemente das personagens que eu esteja exercendo.

O limite da minha liberdade e autenticidade é sempre o outro, pois, a pessoa mais importante no mundo é aquela com quem eu estiver conversando ou interagindo, pois, é ela quem dá o meu limite. Tenho de ser capaz de perceber com quem estou conversando, para poder comunicar-me com ela e, ao mesmo tempo, ser eu mesmo. Se eu não for autêntico, em pouco tempo, nem eu mesmo vou me aguentar!

Além disso, ninguém quer amar uma pessoa falsa. A principal virtude, que um ser humano preza, é a confiança. Como posso querer que alguém me ame ou confie em mim se eu for uma farsa, se eu não for quem eu sou, se faço de conta que sou alguém que de fato não sou eu? Portanto, nem a aceitação de mim mesmo é algo simples.

Então, o que se sugere, na prática de Yoga, é cultivar as condições básicas de aceitação, para ser capaz de conviver com os outros sem problemas, em paz; ao mesmo tempo, em que se ama e se aceita do jeito que se é, sem sofrimento. Esse é o grande exercício.

Portanto, coloque essa compreensão na sua prática de Yoga; perceba-se onde você estiver, sinta o seu corpo; se houver um desconforto, perceba-o sem moderação – pode ser uma fraqueza muscular, uma falta de flexibilidade ou um medo (por algo ainda mal resolvido em sua memória). Sim, vale lembrar, quando você estiver praticando, que o seu corpo é a sua memória, você estará sempre entrando em contato com a sua memória, além da realidade imediata e presente.

Porém, de todas as posturas físico-mentais, que se fazem, a mais importante delas é aquela na qual você consegue sentir-se em si mesmo(a), assentado(a), em você. Mas, como eu, você e todo o mundo lida com pressões o dia inteiro e muda um pouco a toda hora, tem-se um trabalho permanente de autoajustamento, para ficar-se bem.

O ser humano está habituado a fazer isso, de adaptar-se a si mesmo e à realidade, por meio de inúmeras rotinas de manutenção. Então, também preciso criar uma rotina de me conhecer, de me perceber, de me aceitar, de gostar de mim e de ser autêntico. O importante será fazer isso todos os dias, na medida adequada para mim (assim como você na sua medida). A dica é fazer sempre, para ir-se descobrindo cotidianamente e ir-se ajustando com a sua autenticidade.

Ao praticar Yoga e meditação, precisa-se, portanto, de boa vontade consigo mesmo, paciência e autocompreensão. Mas esse compreender-se é sempre diante da realidade. Não adianta nada ser especialista em si mesmo, ficar por isso orgulhoso, vaidoso, cheio de importância e irritar-se por qualquer bobagem ou ofender quem está por perto. A prática pode ser simples assim: qualquer coisa que me perturbe, que mexa com a minha emoção, é uma oportunidade de eu me conhecer melhor (e aceitar-me positivamente), aproximar-me da minha autenticidade, por meio da compreensão daquela emoção. Ela sempre será de minha responsabilidade comigo mesmo. Fugir dessa emoção é acumular problema e falta de autenticidade, será perder a oportunidade de ser responsável pela minha felicidade.

Thadeu Martins

      

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