Yoga é meditação?

Não propriamente, mas compreendi que têm tudo a ver entre si. Yoga é a cessação dos turbilhões mentais, dos pensamentos incessantes, do perder-se na imaginação, do abandonar-se no sono, do conhecer ou do reconhecer. Yoga constitui princípio e prática de vida atenta ao ser (consigo) e ao existir (com os outros no mundo). Meditar é um dos métodos, das práticas, dos artifícios para habituar-se a viver desse modo atento.

Um ambiente tranquilo ajuda; se não houver um, forja-se o que for possível. No exercício de meditar, primeiro apazigua-se a mente. Por exemplo, por meio de uma forma de respirar mais atenta, demorada, fluida, de movimentos contínuos, suavemente ritmados, de modo a perceber-se o ar entrando pelas narinas, trocando-se no interior do peito, e saindo outra vez.

A atitude atenta, associada à respiração, permite perceber-se e perceber o que está à volta, ser testemunha de si mesmo e do que ocorre no ambiente em que se está; possibilita afastar-se do ambiente para percebê-lo com algum distanciamento. Este se dá na direção e no sentido voltado para o interior do si próprio (o único relativo a tudo que me circunda). Até onde eu posso afastar-me para dentro de mim? Talvez até o princípio "divino" da vida, que se manifesta tanto em mim como em você.

Há pessoas capazes de rezar com bastante facilidade e extraordinário fervor, e que se colocam nesse estado, não dualista de percepção: sem separação entre si e o princípio divino da vida (Deus ou a denominação que você preferir), sem necessitar de qualquer artifício. Há ainda vários outros estilos de se atingir esse especial ponto de vista. Para os que dominam esses estilos, é mais fácil meditar ou viver em Yoga, se quiserem.

Porém, como os turbilhões mentais se sucedem quase continuamente, eu prefiro utilizar artifícios adicionais, como focalizar o mais atuante dos sentidos – a visão – em um único objeto, enquanto permaneço com a atenção para o fluir de minha própria respiração.

Essa prática leva a um estado contemplativo, pacífico, tranquilo. Se alguém estiver me observando, poderá dizer que pareço distante de tudo. Embora, na realidade, eu esteja mais atento e perceptivo, conscientemente. Quanto mais frequentemente praticar-se, como quase tudo na vida, mais fácil vai ficando estar nesse estágio de contemplação.

A permanência em contemplação leva a um estado de indiferenciação quanto ao que se estaria observando. Não se constatam mais discriminações, análises ou julgamentos diferenciadores, distanciadores. Passa-se a estar em "contato" essencial, holístico (ou outra denominação, que se prefira). Como essa é uma descrição à beira da incompreensão, talvez seja melhor você praticar do que eu tentar explicar...

O tempo de duração dessa prática, para tornar-se habitual, pela minha experiência, deveria ser de pelo menos alguns minutos diários. Uns dez, por exemplo. Há quem pratique por mais de uma hora contínua. Isso depende do propósito de cada pessoa ao meditar. Depende também do grau de domínio da técnica de meditação adotada. Para quem está iniciando, sugiro começar à noite, perto da hora de dormir, numa posição confortável, de modo que, se você dormir, já tenha sido bom para o seu descanso.

Thadeu Martins

      

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