A resposta essencial

Percebo na prática de Yoga, que a proposta é cultivar a paz, a tranquilidade, a libertação ("moksha", em sânscrito). Conforme a tradição hinduísta, esse propósito é a libertação da "roda do sofrimento dos muitos nascimentos e vidas", ou seja, não precisar passar outras vezes pelas mesmas experiências de dor. Uma das dicas do sábio Patânjali (e dos que, a partir dele, transmitiram a tradição de Yoga) é privilegiar o bom humor, o bom astral, as oportunidades de felicidade. Cultivar desde já a felicidade e a alegria.

Há uma historinha que ilustra isso bem. Um discípulo dedicado faz a seguinte pergunta ao guru, que transmitia sempre uma aura de felicidade: "Qual é o seu segredo?" O guru responde de imediato: "O meu segredo eu não sei, mas o seu eu sei. Você vai morrer em uma semana!". O discípulo fica em estado de choque. E agora? Tudo passa a ser diferente para ele. Começa a ver a vida com outros olhos. É a última semana, e ele aproveita da melhor forma. Quando chega o fim da semana, ele vai para cama morrer, depois de despedir-se da família. Então aparece o guru e pergunta como foi a última semana. O discípulo diz que foi ótima, que enfim descobriu que não se deve levar a vida tão a sério e que já pode até morrer em paz. O guru responde: "Agora você sabe o meu segredo. Estou preparado para morrer todos os dias. Vou morrer hoje, amanhã, todos os dias em que acordo. Então, como vou morrer, aproveito para que o dia seja maravilhoso".

No dito popular, "não deixe para amanhã o que pode fazer hoje": ser feliz. A hora da morte, na verdade, é hora de realização, uma espécie de formatura escolar. Depois, somente no próximo período letivo!

Então, caberia uma pergunta básica: "na minha vida, o que eu quero mesmo?" A resposta a essa pergunta é a essencial. Tudo o mais pode ser até necessário, até importante, mas não é o fundamento. Com esse tudo mais, eu posso lidar, ser uma pessoa generosa, ajudar os outros, a família e então dar muito de mim. Isso pode ser louvável, mas o fundamental não seria isso. Ajudar os outros é apenas importante, fazer minhas obrigações é apenas necessário. Mas fundamental mesmo é que eu realize o meu propósito.

O que eu quero, mesmo? Tento responder a essa pergunta. Medito, escrevo, aperfeiçoo, compreendo isso. Entrego-me ao que eu quero, como fazem as crianças quando estão brincando. Observo que a diferença da criança para o chato é sutil, mas importante. O chato nunca chega lá, não consegue realizar nunca. Está sempre tomado pelo querer realizar e perguntando se já conseguiu. Por outro lado, o "eu-criança", aquele que se entrega ao que está fazendo, faz disso a própria existência, aproveita e é feliz.

Então, entrego-me ao meu desejo de vida, coloco todo o meu empenho nisso. O restante, as obrigações, vou fazendo, até para que não me atrapalhem. Compreendo tudo o mais que tenho de fazer como pré-condição para realizar o meu propósito. Desse modo, até essas obrigações vão ficando boas de serem feitas. Elas passam a ajudar ao meu propósito.

Eu achava difícil descobrir o que era mesmo o que eu queria. Deixei brotar a descoberta da minha resposta, conforme a orientação de comportamento positivo do Yoga, o "Íshvara pranidhana" ("entregar-se ao princípio divino da vida"). Deixo-me levar, por meio da meditação e da constante observação de mim mesmo, com a intenção de criar um ambiente propício para captar o que eu quero mesmo na vida. Descubro e redescubro a resposta, a cada dia, e nela me empenho. Você também pode concentrar a existência na realização do seu propósito. E ser feliz agora, e em cada minuto de mais atenção na vida, com a seriedade de uma criança brincando.

Thadeu Martins

      

ADQUIRA!

Saiba mais

MAPA