Respirar e viver bem II

Entendi que praticar Yoga é uma estratégia de vida. É um modo de viver que estimula a cultivar atenção na vida, de tal modo que eu seja uma pessoa adequada socialmente e assim tenha tranquilidade para cuidar da minha unidade pessoal: corpo, mente e espírito. Mas isso tem início com a base social, porque eu sou um ser social. A partir dessa compreensão, posso vir trazendo a atenção, cada vez mais, para perto de mim, e passar a dar maior atenção à energia, à mente, ao espírito.

A energia está associada às atividades que faço. Como já disse, energia é uma palavra de origem grega que significa literalmente atividade e está associada ao ritmo da respiração. Quando cuido da respiração, percebo que ela pode ser mais demorada e profunda. Posso cultivar o hábito de respirar profundamente, demoradamente, silenciosamente e pelo nariz. Desse modo, estarei cultivando quatro condições essenciais de equilíbrio entre a atividade exterior e a interior.

Quando respiro com atenção, deixo o ar entrar e sair completamente, fico mais tranquilo, mais equilibrado. Claro, é preciso lembrar que só faço isso se a questão social, a carga de trabalho e a saúde assim permitirem. Ao aperfeiçoar a respiração, obtenho uma melhora geral, porque fico mais atento. Não por acaso, a prática de Yoga acentua a atenção.

Depois de cuidar da minha energia, é hora de cuidar da mente, da intermediação entre mim mesmo e a alma. Sim, porque é por meio da mente que rezo, percebo a revelação divina e compreendo a maravilha da vida. Cuidar da mente é o último estágio para completar o quadro de atenção. A partir dos exercícios físicos, vou estimulando o hábito de, ao mesmo tempo, prestar atenção ao corpo e à respiração e dirigir a mente para o que estou fazendo.

Respirar com atenção é simples assim: expiro, coloco todo o ar para fora; quando acabar, começo a inspirar. Posso aperfeiçoar: quando acabo de expirar, faço uma pausa, uma marcação, por exemplo, com a contração dos músculos do esfíncter anal e do esfíncter uretral. Esse movimento mobiliza a musculatura que dá sustentação à coluna vertebral. Os yogues chamam de "mula bhanda" a essa contração (com elevação do assoalho pélvico) da região do períneo. Toda vez, em que se faz força, para levantar um peso, por exemplo, deve-se fazer o "mula bhanda", para proteger a coluna vertebral e estimular as regiões de distribuição de energia, também chamadas de "tchacras" (círculos, em sânscrito), que se dispõem em volta e ao longo da coluna vertebral.

Os yogues dizem que há pelo menos sete "tchacras", os quais no ocidente são associados ou à configuração do sistema nervoso, ou às glândulas endócrinas, ou às regiões do corpo com funções destacadas: na altura do períneo, entre os órgãos sexuais e os rins, na região do estômago, em volta do coração, na altura da garganta, na altura das sobrancelhas e no alto da cabeça. Esses "tchacras" relacionam-se, nessa ordem, com a base da principal estrutura física, com a função reprodutiva e sexual, com a capacidade digestiva e de autocontrole, com a percepção das emoções, com a expressão das emoções e significados, com a significação das percepções, e com a transcendência da dimensão espaço-tempo (com os insights e a espiritualidade).

Dedico boa parte do meu tempo a essas práticas respiratórias e de atenção ao longo do dia, pois é algo que posso fazer junto com qualquer atividade de trabalho ou do dia a dia, e sem que ninguém perceba; mas evito exageros ao fazer os exercícios (como reter o ar por muito tempo), porque o propósito é sentir-me bem, ativar positivamente os "tchacras" e a energia interior, para cultivar a plena atenção e estar bem.

Thadeu Martins

      

ADQUIRA!

Saiba mais

MAPA