Amorosidade na prática de meditação

Um propósito da prática de Yoga e meditação é harmonizar a vida, por meio de uma técnica muito simples: prestar atenção no que se está fazendo; fazer aquilo que é preciso para prosseguir no mundo exterior e, ao mesmo tempo, dedicar-se a si mesmo.

Essa harmonização, eu posso exercitá-la ao observar a minha respiração. Observar é um bom artifício para trazer a atenção para mim mesmo: para a minha vida social, o meu corpo, a minha saúde, a minha alimentação, a minha respiração e para a minha mente. Ao observar-me, crio um distanciamento, como se eu observasse uma outra pessoa; assim fica mais fácil para harmonizar-me com a realidade.

Além de respirar, também posso levar a atenção para as minhas memórias. E, como já comentei, eu também posso produzir memórias favoráveis. O sábio Patânjali afirmava que, dos dois tipos básicos de meditação (com alguma identificação ou sem nenhuma) e das diferentes opções do primeiro tipo, a inicial e mais propiciadora é a meditação a partir do bom astral, das coisas mais sutis, dos sentimentos positivos. Ao cultivar lembranças positivas, crio uma base para a tranquilidade. Com a prática desse bom astral, aumento o meu vocabulário de felicidade, o arquivo de recursos de "boas memórias", de tal modo que, ao voltar "atrás" (no tempo da memória), terei bons pontos de apoio para tomar impulsos positivos.

Eu também posso vivenciar bom astral por meio da meditação. Isso é algo que está plenamente ao alcance. Faço pausas frequentes, no meu cotidiano, para praticar, por exemplo, o seguinte exercício de amorosidade e aceitação. Faço de conta que estou de olhos fechados, ou simplesmente fecho-os suavemente. Respiro e vou-me percebendo. Visualizo uma imagem positiva. Imagino que vou encontrar alguém. Pode ser uma entrevista, um encontro ou uma visita. O lugar é agradável. Eu, então, me sinto bem e tranquilo. Deixo uma suave expressão de sorriso nos meus lábios. Esse ser, que eu vou encontrar, aproxima-se. Eu percebo amorosidade, bom astral. Eu estou alimentando a minha memória com essa imagem positiva. Percebo os meus sentimentos por estar nesse lugar, nesse encontro, por estar em contato com esse ser tão positivo e amoroso. Reconheço essas emoções. Eu posso também classificá-las e nomeá-las. Vou sentindo as minhas emoções positivas e as vou compreendendo. Percebo a amorosidade que esse ser transmite para mim. Procuro, então, identificar o sentimento que me é transmitido. Depois deixo-me, simplesmente, inebriar por essa atmosfera positiva, por esse bem-estar, por esse algo que não é mais nem eu, nem o lugar, nem o ser com quem me estou encontrando, mas sim um todo positivo. Levo para o meu coração toda essa atmosfera positiva, todo esse bem-estar. Deixo-me inebriar também por essa sensação. Percebo um sorriso brotando do meu coração até o meu peito. Ao respirar, eu passo a sentir uma sensação de plenitude. Então, quando eu quiser, posso voltar, deixar meus olhos se abrirem, continuar a respirar, prosseguir no meus afazeres.

Você, se quiser, pode fazer esse exercício no seu dia a dia para, por exemplo, preparar-se para os inúmeros encontros que tiver na sua vida. Se você quiser, pode transformar os desafios desses encontros em pretextos para você fazer, antes, um exercício, como o que eu descrevi, e já ir vivenciando um bom astral. Ao mentalizar previamente os seus encontros, você amplia o repertório de memórias favoráveis.

Nesse exercício, eu entrego-me à amorosidade, que definitivamente não é um sentimento egoísta. A amorosidade é algo muito amplo e está baseada na clareza, com que eu percebo o outro, com quem estou lidando, de eu aceitar a realidade, com a qual estou lidando. Com a amorosidade, eu preparo a minha aceitação.

Nesse exercício de amorosidade comigo mesmo, eu crio uma situação bastante positiva. No limite do meu corpo físico com o corpo emocional, eu cultivo a positividade. Eu desapego-me dessa situação quando incluo outra pessoa. Já não estou mais identificado apenas comigo mesmo. Depois, eu abstraio-me de mim, quando vou para o ambiente, para o clima que foi criado. Ou seja, eu passo para o corpo dos contextos, o supramental. Crio uma situação de aceitação, que é a chave para lidar com a realidade. Eu, você e todo o mundo só lida bem com a realidade na medida em que a aceita.

A ideia desse exercício de amorosidade é, por meio da percepção das emoções, aumentar a capacidade de presença e de compreensão dos sentimentos que me mobilizam. O ideal em Yoga e meditação, seria estar absolutamente presente na realidade e conseguir sem esforço, ao mesmo tempo, distanciar-se da realidade, estar presente nela e a perceber. Para tanto, os exercícios oferecem um bom treino ao praticante.

Por isso, incluí, no meu cotidiano, os exercícios de distanciamento, classificação e compreensão das minhas emoções. Também pratico isso, à noite, enquanto estou caminhando com o Badá, meu cachorro, pelas ruas internas e desertas do meu condomínio em Brasília; vou falando em voz alta comigo mesmo, já que nunca há ninguém nas ruas, nesse horário. Assim, vou criando uma condição favorável, absolutamente sob o meu controle, de lidar com as minhas emoções e com a realidade, de conhecer o meu ser interior e, ao mesmo tempo, criar memórias positivas.

Thadeu Martins

 

      

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