Bom astral como estratégia de vida

Praticar Yoga e meditação é também cultivar o bom astral; cultivar um lugar agradável, relações pessoais agradáveis, relação agradável com o mundo. Quanto mais "bom astral", melhor. Para isso, tenho um aliado físico e natural: o cérebro. Ele tem um padrão de comportamento que reforça qualquer tendência que eu tenha comunicado a ele, mesmo que inconscientemente. O hipotálamo é o responsável por esse reforço cerebral: se eu estiver de mau humor, ele faz o humor ficar ainda pior; se eu estiver bem-humorado, ele vai reforçar esse bom humor. Ao cultivar situações positivas, um modo positivo de ver a vida, o meu cérebro vai condicionar cada vez mais o bom astral.

Como vivo, ao mesmo tempo, no mundo real e no mundo da memória, ao cultivar situações agradáveis, vou memorizar situações agradáveis. Na medida em que eu tenha um repertório de memórias agradáveis, aumento, e muito, a possibilidade de pensamentos positivos surgirem. Ao observar nas pessoas as qualidades que elas têm, ao observar no mundo a beleza que existe, percebo o que se pode fazer de melhor e prossigo cultivando isso. Independentemente de continuarem a existir complicações e coisas desagradáveis. Consigo, desse modo, aumentar o meu repertório de boas lembranças.

O sábio Patânjali, ao codificar a prática de Yoga, afirmou que o caminho da meditação ou "samadhi" é o do bom astral, aquele que o cultiva, enfatiza a qualidade "sattva" da natureza, que é a qualidade do sutil. Para os hinduístas (como já comentei) tudo tem três qualidades: "thamas" (densidade), "sattva" (sutileza) e "raja" (transformação, dinâmica). Também o corpo é assim: uma sutil programação mental e uma dinâmica de proteínas e outras densidades. O bom astral é o ponto de partida orgânico e sutil para a meditação.

Seja qual for o estilo de meditação que eu faça, sigo sempre dois passos: primeiro concentro-me e depois me desapego. Ou seja, concentração e desligamento (distanciamento seria o mais adequado). Mas desligamento de quê? Daquilo em que eu estava me concentrando. Rigorosamente, segundo a tradição, há três etapas: "dharana" (concentração), "dhyana" (contemplação) e "samadhi" (transcendência). Primeiramente eu concentro-me, prossigo contemplando e depois, para atingir o "samadhi", para transcender, desligo-me da identificação com aquilo em que me estava concentrando.

Ao manter-me concentrado em algo físico (uma vela, uma flor, uma árvore ou a superfície da água de um lago, por exemplo), atinjo, depois de algum tempo, a contemplação. Nesse estágio, acontece de o observador e o objeto tornarem-se uma coisa só. E aí tenho que ficar atento para não me embriagar com essa sensação, que pode ser fascinante. Fico praticamente identificado com a coisa observada. No estágio seguinte, que também acontece pela permanência intencional, passo a observar-me, afastar-me (mentalmente), e perceber o que for, sem mais identificar-me.

A concentração inicial também pode ser em algo sutil, em um sentimento ou em um conceito, como por exemplo, a bondade. Em um primeiro momento concentro-me a ponto de identificar-me com esse conceito ou sentimento e depois distancio-me. Passo a exercer o desapego. Ao "desidentificar-me", por exemplo, em relação às emoções, tenho mais liberdade para fazer escolhas. Assim, evito ser arrastado pelo turbilhão de emoções. Esse desapego é algo que se consegue com a prática. Essa prática tem que ser diária, porque no cotidiano sou tomado naturalmente por variadas emoções, conforme as circunstâncias.

Pratico, portanto. Habituo-me a distanciar-me e observar as emoções. Crio novos hábitos (sorrir mais, criticar menos, sentir mais, falar menos). A cada vez que um pensamento recorrente surge, paro e analiso. Por que estou (outra vez) pensando nisto agora? O que esse pensamento tem a ver com este momento? Consigo pensar em algo diferente disso? Se for um pensamento nocivo para mim, penso algo oposto (que possa neutralizar a emoção, "virar o jogo").

Pratico o hábito de estar no comando, ou na escolha dos meus próprios pensamentos. O propósito é distanciar-me dos pensamentos para libertar-me deles, quando eu não os quiser. Dá bastante trabalho (parece o método japonês dos cinco "S"): classificar, qualificar, analisar, Identificar as emoções e situações que estão ligadas a eles (os pensamentos e situações recorrentes), descartar. Vale o esforço, porque assim eu vou serenando um pouco mais a minha mente, ou pelo menos fico mais tranquilo, para voltar a cultivar a condição original e básica de felicidade: o bom astral.

Thadeu Martins

      

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