Yoga para todos

São vários os caminhos do Yoga. Segundo o sábio Patânjali, há uma prática de Yoga adequada a cada tipo humano. Como acabei de comentar, no Bhagavad Gita (talvez o mais famoso texto hinduísta), em seus dezoito capítulos, são feitas referências aos vários tipos de Yoga. Então, por exemplo, para as pessoas ativas, bastante trabalhadoras, o mais adequado é o "Karma Yoga". É o Yoga da ação, mas desinteressada dos resultados dessa ação. Faz-se algo porque é preciso que seja feito. Já a pessoa de natureza devocional vai ter mais afinidade com o "Bhakti Yoga". Essas pessoas dedicam-se a trabalhos religiosos, à divindade. Os devotos Hare Krishna são exemplos desse grupo de pessoas.

Há também aqueles que buscam o caminho do conhecimento, do discernimento. Trata-se do "Jñaña Yoga", o Yoga do Discernimento. Há quem chame de Yoga Real, ou "Raja Yoga". A diferença é que, no Yoga do Discernimento, enfatiza-se a aplicação da lógica, da dedução e da inferência; enquanto que no "Raja Yoga", vai-se além do conhecimento, que se obtém pela saturação de informação, para chegar ao estágio de insight . Assim, por meio da meditação e do insight , o praticante pode ir além do conhecimento.

Na Índia, os praticantes atuais do Yoga do Discernimento dedicam-se ao estudo do Vedanta, última parte dos "Vedas" (os textos sagrados obtidos por revelação, que tratam dos grandes temas filosóficos, e que foram transmitidos ao longo de séculos, desde a tradição oral iniciada pelos brâmanes).

O Hatha Yoga é uma expressão bem mais recente. Surgiu por volta do século XIV (da era cristã). No Hatha Yoga há uma ênfase na atenção corporal para propiciar condições físicas de meditação. "Ha - Tha", literalmente sol e lua, é uma alusão alegórica a energias opostas e complementares, as energias de natureza masculina e feminina, capacidades executivas e intuitivas presentes em cada pessoa. O texto tradicional do Hatha Yoga, o Hatha Yoga Pradípika (que, para sorte nossa, foi traduzido para o portuquês pelo yogue Pedro Kupfer), faz também referência aos ensinamentos do sábio Patânjali, de que o propósito em Yoga é serenar a mente, compreender a realidade e ter uma atitude de plena atenção na vida. Observo que o cultivar condições físicas do corpo tem como objetivo que este permaneça saudável, sem exigir atenção além da habitual, e que assim facilite a realização da plenitude da vida.

Observo, porém, que no Hatha Yoga Pradípika são ensinadas algumas posturas (em geral, impossíveis para as pessoas iniciantes). As posturas básicas têm o propósito de permitir que o praticante possa ficar sentado, com a coluna em posição ereta, durante horas, para se dedicar ao "Jñaña Yoga" ou ao "Raja Yoga". Algo muito desafiador para qualquer pessoa, mesmo para um indiano tradicional. Por falar nisso, lembro-me que muitos dos livros do mestre Yogendra adicionam, por essa razão, a palavra "simplificada(o, as, os)" nos seus títulos: "asanas" simplificados, "pranayamas" simplificados, Hatha Yoga simplificada; mas ele talvez tenha sido o único que teve esse cuidado.

Voltando ao sábio Patânjali, lembro outra vez que se pode ser ou estar mais propenso a uma prática devocional, ou de ação, ou de estudo ou de meditação. O importante é cada um ficar atento e fazer aquilo que é mais adequado a si mesmo, conforme seus pendores e suas circunstâncias.

Thadeu Martins

      

ADQUIRA!

Saiba mais

MAPA