Flores em mim

Por falar em prática, alguns exercícios de Yoga são complementados com "mula bandha", uma contração da musculatura da região do períneo, ("bandha", fecho, selo, contração; "mula", de "muladhara", o "chacra" da raiz, círculo virtual de distribuição de energia na região da base da coluna) e também com outros "bandhas"; todos eles têm por propósito a percepção ou o controle da energia, da atividade orgânica.

Na tradição hinduísta, fala-se de milhares de canais de distribuição de energia no corpo humano. São os "nadis". Desses canais, os mais importantes seriam três ("ida", "píngala" e "sushuma") que se encontram virtualmente ao longo da coluna vertebral, em forma de espirais. Seriam canais sutis ou virtuais de energia.

As interseções desses três "nadis" espiralados formam os "chacras", que em sânscrito significam círculos. Haveria pelo menos sete desses círculos de irradiação de energia. Cada um deles está associado a uma determinada região do tronco, do pescoço ou da cabeça.

Os "chacras" são representados pelos hinduístas como flores. Para cada "chacra" é associada uma flor com um determinado número de pétalas. O "chacra" que fica acima da cabeça, por exemplo, é chamado de "chacra" das mil pétalas. Está associado a "Buddhi", que é Mercúrio, Hermes Trimegistro, a alegoria da inteligência, da mente. Curiosamente, o desenho desse "chacra", conforme os videntes, é muito semelhante ao da órbita do planeta Mercúrio em torno do Sol, quando visto da Terra!

Então, na imagem hinduísta de como a energia transita no corpo vivo, destacam-se sete círculos ou "chacras", aos quais podem ser feitas várias associações. O primeiro "chacra" é o da base da coluna, associado à energia terrena, estrutural. O segundo está na região das suprarrenais (há quem o localize na base do baço ou na região pélvica, sexual), relacionado à água, às emoções, à criação da vida. O terceiro está na região do umbigo, do fogo da digestão. Os três são "chacras" de matéria. Já o quarto "chacra" está associado ao ar, que simboliza a transição do material para o sutil e fica na região do coração. É a mistura de ar e fogo. O coração faz a transição dos "chacras" da densidade para os "chacras" do que seria mais sutil, que são o da voz (da expressão), da região intelectual (que articula o significado das emoções) e o "chacra" das mil pétalas, que é suprarracional, no limiar do espiritual (individualização de "purusha", "atma", alma).

Ao meditar, posso levar a atenção, por exemplo, a cada um desses "chacras"; ir percebendo a transição da atenção de um "chacra" para outro. Posso sincronizar isso com o ritmo da minha respiração, fazendo por exemplo a emissão do mantra OM, enquanto expiro, sentindo "vibrar" cada um dos "chacras" ao som prolongado do OM. Embora eu tenha começado a conversa com a expressão "mulabandha", apenas para levar a atenção aos "chacras", quero agora destacar um hábito, muito simples, de fazer uma breve contração da região muscular do períneo, ao concluir uma respiração, tanto depois de expirar, quanto depois de inspirar. O propósito seria levar a atenção para a base muscular de onde se mobiliza toda a musculatura que dá sustentação à coluna vertebral. Assim, estarei cultivando um importante hábito: o de associar a respiração à tonificação muscular que me permite ficar em pé ou bem sentado. Assim, por meio da atenção aplicada, durante a respiração, tanto à sutileza dos "chacras", como à materialidade muscular, posso apaziguar-me, desligar-me um pouco do mundo das mil e uma solicitações, prestar atenção ao jardim interior, formado pelas flores dos sete "chacras".

Thadeu Martins


      

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