Atitudes fazem a diferença

De vez em quando, tenho que lembrar (aos meus ouvintes) que na prática de Yoga, quero ficar bem comigo mesmo e com os outros, pois, ao sentir-me bem, passo a ter algo de bom para dar, que é o meu bom astral. Quando em Yoga se diz que uma pessoa está iluminada, significa que ela está nesse estado de espírito, de completude. Os exercícios, a disciplina e as atitudes têm o propósito de levar a esse estado de felicidade. Tudo começa com as atitudes diante da realidade, do mundo social e, basicamente, são quatro as atitudes a condicionar em Yoga.

Em primeiro lugar, devo saber onde estou, ter um sentido de orientação, de ordenamento. Procuro perceber onde estou para posicionar-me. Essa atitude está associada a todos os exercícios em que me alongo na vertical ou fico deitado; quando alinho naturalmente a coluna vertebral.

A segunda atitude é a de tomada de consciência. Está associada aos exercícios preparatórios para a meditação, em que me volto para dentro de mim mesmo, tomo consciência da unidade que sou, cultivo essa compreensão interior.

A terceira é a atitude de desapego (abrir mão de algo). Essa é das mais difíceis, até em termos físicos (do próprio corpo). Em cada movimento, usa-se no mínimo dois conjuntos de músculos: aqueles que provocam o movimento e os que se antepõem. Por exemplo, quando inclino o corpo para frente, os músculos dianteiros puxam o corpo para flexionar-me, e os músculos das costas fazem um esforço de compensação. A musculatura vai cedendo, à medida que deixo o corpo ir. Não será numa vez só, que fizer os exercícios, que a musculatura vai-se alongar, mas sim, por se praticar algumas vezes, com paciência, e durante "a vida toda". A cada vez que fizer, a musculatura irá adequar-se um pouco mais às intenções de flexibilidade e tonicidade.

Se eu agir com desapego ao rápido resultado, e entregar-me para aceitar os meus limites momentâneos, o meu corpo terá oportunidade de perceber a mudança de atitude para colaborar na realização. Em Yoga, há sempre o cuidado, no sentido de evitar o exagero (que pode levar às lesões). Cada um já tem a musculatura adequada para o que precisa, que é carregar o próprio peso. Então, com essa atitude, busca-se soltar tudo o que não se precisa reter ou contrair. No caso do corpo, são principalmente as costas e toda a musculatura posterior que se habituaram a contrair-se demais.

A quarta atitude é a de autoconfiança, algo que se deve praticar, na vida social, para poder lidar com a rejeição e também para a realização do que for necessário fazer. Para isso, preciso ainda mais estar bem comigo mesmo. Os movimentos de autoconfiança são aqueles em que se inspira, abre-se o peito. Nas posturas de autoconfiança, alonga-se a musculatura frontal ou também envergam-se as costas para trás.

São essas as quatro atitudes que, de fato, devem estar presentes nos exercícios. Os "asanas" de Yoga não são coreografia ou dança. O que se faz nos exercícios, que até podem parecer coreografias para quem está vendo de fora, é praticar atitudes, que podem fazer toda a diferença na vida. Atitudes para agir com plenitude.

Thadeu Martins

 

      

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