No caminho de "samadhi"

Em Yoga, há uma ênfase de caráter social, para desenvolver um comportamento tão tranquilo que consiga diminuir bastante as perturbações que o mundo social traz e as que se leva para ele. Fico em paz com as pessoas e elas em paz comigo. O início do caminho em Yoga é feito com atitudes e ações correspondentes a um código de comportamento social, que prossegue com um modo de lidar com o corpo, a mente e o espírito. Assim, faz-se um reforço: o corpo e a mente, por meio das atitudes e dos exercícios, vão estabelecendo um comportamento de liberdade ("moksha"). Estimula-se e preserva-se a liberdade em mim e nos outros.

Os exercícios de posturas, que dão firmeza, estabilidade e conforto, são chamados de "asanas" (pronuncia-se ássanas), enquanto os exercícios respiratórios, de controle da energia, são os "pranayamas". Como a atividade está diretamente associada ao ritmo da respiração, o controle desta traz o controle da energia.

O caminho do Yoga passa, então, pelo comportamento – controles e estímulos – e pelos exercícios – posturas e respiração. Além desses, há outros quatro passos, mais voltados para o interior do ser. O primeiro é o exercício em que dirijo os sentidos para dentro de mim mesmo. Chama-se de "pratyahara". Esse é um dos principais exercícios para recuperar o ritmo natural e para o organismo se libertar dos condicionamentos negativos que eu, você e todo o mundo cria (ninguém está isento disso).

Nesse exercício, cobrem-se superficialmente os lábios, as narinas, os cílios (suavemente para não machucar os olhos), tampam-se os ouvidos e tenta-se ouvir o próprio som interior. O objetivo é permitir que o organismo recupere-se, no seu próprio ritmo, independentemente dos condicionamentos mentais que até então lhe foram impostos.

Os outros três passos formam um conjunto destacado: a meditação. Na compreensão sistematizada na escola do Yoga, a meditação é constituída de três estágios. O primeiro deles é o de concentração ("dharana"), em que eu me concentro num objeto ou numa ideia ou num ponto dentro de mim. No segundo estágio, quando essa concentração é continuada e já não faço esforço, atinjo a contemplação ("dhyana"). Essa palavra, inclusive, é mais adequada para referir-se à meditação, no sentido que se dá em Yoga. A contemplação é um estado de concentração sem esforço. O observador e o objeto ficam em tal harmonia, que de repente acontece o terceiro estágio, em que não há mais separação entre ambos. Dá-se, então, um estado de transe, de superação da dualidade, chamado de "samadhi", que é uma meta para todo praticante de Yoga.

Então, busco desenvolver a habilidade de cultivar a liberdade ("moksha"), de tal forma, que socialmente eu seja bem aceito, possa lidar bem com os outros, estar em paz com o meu próprio corpo – cuidar dele de modo a que seja um aliado e não um atrapalhado, que está sempre pedindo atenção exagerada – e no qual me permito ir além da dualidade das coisas, das relações de identificação. Viver nesse estado "zen", de "samadhi", é o ideal de quem pratica Yoga, e não se chega lá de uma hora para outra, e sim praticando, fazendo com entusiasmo, com respeito a si mesmo e ao que se faz, percebendo o caminho.

Thadeu Martins

 

      

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