Yogar-se

Vivo lembrando que Yoga é uma estratégia de vida. Por isso, praticar Yoga só tem sentido se eu fizer com habitualidade, de preferência em todos os dias. Os exercícios são alegorias, artifícios para eu criar uma disciplina: a minha própria. Tenho um bom hábito, por exemplo, de aproveitar a hora do banho para praticar alguns dos exercícios de Yoga. Vou-me alongando, praticando o que é possível fazer. Escovar os dentes é também uma oportunidade para praticar posturas verticais simultaneamente, perceber as musculaturas, encaixar o abdômen, alinhar-me. Já início o meu dia desse jeito.

No trabalho, acomodo a curvatura natural da coluna vertebral ao sentar-me, mantendo-me sobre os ossos ísquios (aqueles internos às nádegas), para criar uma situação de estabilidade. Respiro com a musculatura abdominal expandindo o diafragma, deixando o ar entrar nos pulmões; apoio bem levemente (para não elevar os ombros) os cotovelos e os antebraços nos braços da cadeira, sentando-me o mais confortável possível. De vez em quando, alongo os punhos e os dedos, levanto-me e ando um pouco, vou beber um pouco de água. Pisco bastante enquanto leio ou escrevo. Alterno, de vez em quando, o olhar para longe, para a paisagem ou mesmo para fazer uma vista panorâmica da sala de trabalho. Coloco, de vez em quando, as mãos em concha sobre os olhos, para relaxar a musculatura ocular. Os meus colegas ou já estão habituados comigo ou nunca repararam nesses meus hábitos; aliás, tratam-me com bastante amabilidade.

Antes de dormir, acrescento também a prática de meditação. Fecho os olhos e fico ouvindo os sons à minha volta, evitando julgar ou analisar o que estou ouvindo. Assim, vou acentuando o meu sentido de direção e equilíbrio. Percebo a minha respiração tranquila e vou prosseguindo, lembrando ou criando situações agradáveis em minha mente. Uma das formas de meditar é cultivar um estado positivo da mente; com isso, neutralizo uma certa tendência à negatividade, que desenvolvi numa época de exagerado envolvimento em situações sociais.

Enfim, vou inserindo, ao longo do dia, oportunidades de praticar Yoga, de sentir-me presente, consciente. Vou praticando a capacidade de desapego do mundo social, que é uma das atitudes que se estimulam em Yoga, e deixo o mundo prosseguir sem a minha interferência pessoal (pelo menos por algum tempo).

Lembro sempre que a compreensão do Yoga inclui quatro atitudes básicas para agir. A primeira é dispor-me a compreender o "dharma", a ordem, como as coisas acontecem, onde estou. Essa ordem pode ser tão macro quanto a ordem universal, ou tão micro quanto a situação objetiva, na qual eu estiver num determinado momento. A segunda atitude está associada ao meu posicionamento, à tomada de consciência, de perceber onde estou nessa ordem. A terceira atitude é render-me à realidade, fazer aquilo que é adequado àquela realidade; admitir que não sou onipotente, embora seja capaz de fazer algo. Fico atento e percebo a ordem, posiciono-me nessa ordem e entrego-me ao que é possível e adequado. Com isso, vou desenvolvendo a condição da quarta atitude, que é a autoconfiança, aquela que permite ser o que sou em qualquer situação.

Thadeu Martins

 

      

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