De mente numa boa

Vejo Yoga como estratégia de viver, com a compreensão de que se vive interpretando a vida e a realidade; que a vida é mentalizada, intermediada por modelos mentais. Ao aprofundar-me nos sutras de Patânjali, vou percebendo que ele sai da constatação da intermediação da mente e dos modelos ilusórios, para uma possibilidade de aproximação da realidade com um mínimo de intermediação. Isso seria possível com a mente em estado de serenidade, percebendo-se a si mesma como intermediadora, mas quase transparente.

Explico-me. É como se, na realidade em que vivo, com a educação recebida nas minhas circunstâncias, eu fosse formando lentes para perceber a realidade. Com o tempo e alguma dedicação, posso polir essas lentes, a ponto de elas ficarem cristalinas e quase transparentes. Assim, terei uma visão da realidade como ela (quase) é, para percebê-la como ela (quase) é, em sua plenitude.

Quando o sábio Patânjali afirma que Yoga é controle mental, é a cessação dos turbilhões da mente, ele está indicando uma possibilidade de escolher-se a quantidade de atenção, seja para a "realidade" social, seja para a percepção "plena" da realidade. Ele sugere um modo de viver, que considera a condição humana de escolher o modo de dedicar-se às circunstâncias e evitar ser apenas levado pelas circunstâncias.

Ele esclarece uma possibilidade de liberdade máxima nesta vida, liberação, "moksha", por intermédio da mente, em relação às infindáveis, incessantes, solicitações sociais; mesmo aquelas que brotam por si mesmas na mente.

Os gregos contemporâneos de Platão conceberam a alma como aquela que se liberta da cidade, das pressões sociais, quando o indivíduo morre. Mas eu não preciso esperar até a morte para curtir essa possibilidade. A minha mente pode ajudar-me a lidar positivamente com a realidade social, de modo que me percebam como alguém normal, mas com algo mais de tranquilidade, firmeza, bom astral, presença íntegra, que sente e transmite plenitude.

Thadeu Martins

 

      

ADQUIRA!

Saiba mais

MAPA