No ritmo da respiração

No texto do Yoga Sutra, não se fala de exercícios ou atividades físicas. O que ele sugere mesmo é prestar atenção na vida, ter um comportamento social adequado, auto controlado, de modo a ser incluído socialmente, poder agir ou não agir conforme as circunstâncias.

Patânjali chama atenção para que o meu comportamento social seja adequado, para que eu gaste o mínimo possível de energia, para ser aceito e poder realizar-me. Entendo que se eu não tiver um comportamento social adequado, não terei paz, a minha mente não terá sossego, ficará o tempo todo tendo que resolver conflitos. Eu já vivi essa experiência, de ficar à margem, estar excluído (por nenhuma circunstância especial além das minhas escolhas), e ter de enfrentar bastantes dificuldades, pelo fato de estar com uma aparência "diferente".

Mas resolver-se externamente não basta, é preciso também resolver-se socialmente pelo lado de dentro, na maneira como se lida com as próprias emoções. Não posso terceirizar minhas emoções. Meus sentimentos negativos são absolutamente nefastos do ponto de vista social. Mas só quem pode resolver ou controlar os sentimentos em mim sou eu mesmo. Isso faz parte da minha responsabilidade "kármica".

A base dos ensinamentos de Patânjali são, portanto, de ordem comportamental, com o auxílio da mente, com atenção social e pessoal. No entanto, ele destaca uma atenção especial para a respiração, para que ela seja adequada ao ritmo da atividade. Respirar de modo silencioso, tranquilo, adequado à atividade que se faz; perceber a inspiração, a expiração e adequar esses movimentos respiratórios ao ritmo do que se está fazendo.

Para o controle corporal, a única postura que Patânjali indicou foi esta: colocar-se de modo estável e confortável. Com que propósito principal? Auxiliar o controle da mente, pelo conforto do corpo. Esse seria o quarto controle, que se adiciona ao controle social, ao energético (respiração) e ao corporal. E como posso adquirir esses quatro controles? Por meio da prática e do meu convencimento, de que eles são importantes para a minha vida, ao ponto de fazer deles uma estratégia de vida.

Muitos artifícios foram criados com esse propósito, entre eles os exercícios de Hatha Yoga: com aquelas posturas, em que se sente estabilidade e firmeza, nos quais se percebe a respiração tranquila e a mente calma. Também os exercícios de meditação, em que se concentra a atenção em algo (ou em si mesmo) e assim se permanece por algum tempo, apenas atento e respirando, sem julgar ou analisar os fatos, as coisas, os sentimentos, e de modo tranquilo.

Cada um pode "inventar" seus próprios exercícios. Um bom critério seria "sentir-se bem, sem fazer mal a ninguém"; simples assim. Também valeria seguir a orientação de um instrutor, que transmita confiança, e assim continuar seguindo o mesmo critério do bem-estar consigo e com os outros. Agir como se você também fosse uma outra pessoa que se observa em cada ação ou não ação, em cada situação da vida, e vai sugerindo a si mesma a melhor opção para a sua alma, sua mente, sua energia, o seu corpo, os seus relacionamentos, os outros mais próximos, e até os mais distantes, no ritmo da própria respiração.

Thadeu Martins

 

      

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