De olhos abertos para dentro

Já disse várias vezes que os exercícios de Yoga são oportunidades para praticar as atitudes de perceber onde se está, de estar em si mesmo, de desapego e de autoconfiança. O propósito é fazer com que o cotidiano seja agradável, confortável, socialmente razoável e, assim, permitir o melhor agir.

Quero agora focalizar os artifícios de visualização, como recursos de aperfeiçoamento interior. No ritmo de cada um, pode-se treinar para que isso se torne habitual. O ideal seria introduzir o hábito de visualizar no dia a dia, a ponto de a percepção onírica ser tão real quanto a sensorial.

É perfeitamente possível integrar-se a vivência de olhos abertos com a vivência onírica. Assim, exercita-se também um estado de não ação, em que internamente fica-se aberto para deixar as sensações oníricas também acontecerem.

A técnica é semelhante à meditação, em que se usa o artifício de visualizar algo, de olhos abertos ou fechados, até que se dê uma identificação com o objeto. Como já observei, quando me habituo com algo, deixo de percebê-lo como distinto de mim, ele passa a fazer parte de mim. O que passo a perceber é algo diferente daquele algo. Eu me torno uno com o objeto da identificação.

Então, o processo de meditação pode reduzir-se a um exercício de visualizar. Logo, posso apenas ficar vendo, na imaginação, um lugar de que gosto ou uma pessoa que admiro. O propósito é identificar-me com o que é bom, positivo, que propicie um estado agradável para mim. O exercício será tão melhor e mais criador de hábito, quanto mais condição tiver de propiciar algo agradável, que me dê vontade de fazer novamente.

Por exemplo, escolho a imagem de alguém de quem gosto muito. Fecho os olhos e concentro-me nessa pessoa. Posso até imbuir-me do desejo de incorporar as virtudes dela. Os melhores horários para praticar esse exercício são antes de dormir e quando acordar. Nesses horários há menos interferências e solicitações externas.

O importante é habituar-se a meditar, na medida da respectiva realidade. Se você está vivendo uma realidade muita intensa, pode fazer uma visualização da realização positiva daquela coisa com a qual está envolvido (saúde recuperada, por exemplo).

À medida que se pratica a visualização, vai-se criando o habito de transitar do corpo físico para o corpo das emoções, dos significados, dos suprassignificados culturais, até um estado de transcendência ou liberação. Essa é uma prática propiciadora de aperfeiçoamento pessoal, que é muito semelhante à meditação.

Thadeu Martins

 

      

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