Yoga, sociedade e estado de graça não são gratuitos

Na Índia, o movimento de desobediência civil potencializou o inconformismo e mais um todo de características socioculturais, políticas e religiosas próprias, com as circunstâncias de enfraquecimento do poderio da Inglaterra, na segunda guerra mundial. Tratava-se de um coletivo de enorme complexidade, para qualquer tentativa de captura intelectual, que convergiu para a independência da Índia no meio do Séc. XX.

Shri Yogendra, ao fundar o The Yoga Institute, em 1918, exemplifica uma vertente das manifestações dessa época de reafirmação cultural: um movimento autodenominado "Renascença do Yoga". Ele e alguns outros contemporâneos dele (Ramakrishna, Shivananda, Aurobindo, Yukteswar, Yogananda entre outros) pegaram a onda do renascimento indiano e reapresentaram o Yoga à própria Índia, de um modo mais inclusivo, e extensivo, que também atraiu a atenção dos ocidentais.

Porém, já havia corrido pelo ocidente a alegoria do faquir, do "sadhu", do eremita. Atribuía-se uma aura de mistério e poder extraordinário a indivíduos, admirados ou temidos, por suas extraordinárias capacidades físicas, ou grande conhecimento e superior sabedoria. Essa figura individualizada, singular e lendária, não é exclusiva do imaginário indiano. Ela espalhou-se pelo mundo, porque talvez preencha uma figura arquetípica da mente dos humanos.

Entretanto, da personalidade individual ao coletivo social, destaca-se, na sistematização do Yoga, o necessário esforço de harmonizar a atuação do indivíduo com a dos outros e com o mundo (uma espécie de fórmula inescapável de autossustentabilidade). O que constitui um desafio e tanto para compatibilizar em todas as épocas.

Desafios e afazeres sempre haverá bastantes. De solicitações e demandas, então, nem falar. Porém, são os meus comportamentos pessoais que me colocam mais ou menos à mercê desses fatores externos. Embora, na maioria das vezes, seja possível evitar ou reduzir a minha exposição aos excessos de fatores externos, pois isso depende mais do meu próprio estado de atenção.

Acho que o caminho da mudança pessoal é semelhante ao que ocorre nos movimentos sociais de grandes mudanças que, embora só percebidos quando se agigantaramm, eles tiveram origem e desenvolvimento em pequenas diferenças de atitudes, que se foram reforçando até serem reconhecidas, respeitadas e firmadas.

Ainda me falta muita sabedoria, mas, talvez pela persistência na prática de Yoga, percebo que estou mais atento para aproveitar os relances de lucidez, que me estimulam a pequenas mudanças de comportamento, as quais vêm alterando a dedicação exagerada às solicitações externas a mim.

Thadeu Martins

 

      

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