Yoga na "Prákriti"

O trocadilho é só mnemônico, pois, na prática, a compreensão hinduísta da origem do universo diz que tudo começa com uma dualidade essencial, que é constituída por umA princípio que não se manifesta, "purusha", e simultaneamente a natureza que se manifesta, que pratica, que atua: "prákriti".

 

As primeiras manifestações de "prákriti" são "mahat" e "buddhi". Este último é o equivalente na mitologia grega ao deus Hermes e na romana ao deus Mercúrio – o mesmo deus da comunicação. "Mahat" antecede a "buddhi", o princípio intelectual. "Mahat" equivaleria ao cérebro réptil; a tudo que forma a percepção dos sentimentos. Eu, você e todo o mundo sente e emociona-se antes mesmo de raciocinar.

Nos textos antigos e alegóricos, "Buddhi" é associado a um cocheiro de uma carruagem de três cavalos: o princípio sutil ("sattva"), o princípio denso ("tamas") e a transformação de um em outro ("raja"); a realidade é "raja", movimenta-se, transforma-se. Esses três princípios estão sempre em manifestação, às vezes um sobrepondo-se ao outro.

Quando o sábio Patânjali afirma, logo de início, que Yoga é a cessação das movimentações mentais, dos turbilhões da mente ("yoga chitta vritti niroda"), ele também está referindo-se ao jogo interativo entre "buddhi" e "mahat". Aquele tentando racionalizar intelectualmente este e controlar as movimentações "sattva", "tamas" e "raja".

As posturas e a meditação em Yoga propiciam esse controle. Mas, ao longo do dia, pode-se também perceber as movimentações: às vezes mais preguiçosos ("tamas"), ou mais dinâmicas ("raja"), ou mais contemplativas ("sattva"). A atenção a essas percepções é necessária para manter o equilíbrio pessoal. Se, por exemplo, vai-se fazer algo que exige muito esforço mental, não se vai exagerar na comida, para não se ficar num estado "tamásico".

No cotidiano, vai-se atuando com "buddhi" para esclarecer e compreender comportamentos e situações, e cultivar as quatro atitudes básicas: saber onde se está; perceber quem se é nesse onde se está; praticar o desapego; e manter a autoconfiança, para agir do modo mais adequado.

Então, na prática, Yoga é exercer o controle mental que possibilite perceber qual é a energia mais apropriada – se é mais "sattva", "tamas" ou "raja" – alimentar-se e comportar-se de acordo, para seguir em frente. É um agir em estado de permanente atenção à prática.

Thadeu Martins

 

      

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