Meditando as emoções

No momento de crise, de sofrimento, de tristeza, dificilmente consegue-se meditar. É mais fácil desviar a atenção para uma solicitação maior. Desviar o foco pode aliviar o sofrimento, mas quase sempre é apenas paliativo. O melhor é observar esse sentimento que incomoda tanto e, que em geral, é recorrente.

Posso me questionar sobre esse sentimento e responder a mim mesmo, por escrito ou oralmente. Criei o hábito de registrar, porque à medida que tento reconhecer essa sensação, consigo me aproximar um pouco mais de mim mesmo, além de esclarecer do que se trata. E assim vou-me distanciando daquilo, do objeto ou situação do sentimento de desconforto. Torno o sentimento algo objetivo ou menos dramatizado.

Já constatei que o melhor é registrar, escrever, questionar: O que estou sentindo de verdade? Qual é a situação que me está provocando isso? Qual é o sentimento mesmo que estou tendo? É a primeira vez que sinto isso? Se não, quando aconteceu pela última vez? Sempre reconheço um padrão, que é meu. Mas já vi, que isso não é só comigo. Eu, você e todo o mundo tem uma certa tendência a reproduzir os próprios comportamentos, afinal, cada um é coerente consigo mesmo. Esse padrão pode ser uma pista sobre como agir ao lidar com a tal situação, que sempre se repete e sempre provoca esse tipo de emoção.

A ajuda externa é quase sempre limitada. Um amigo pode auxiliar, se eu gostar muito dele e se ele souber falar comigo. Porém, o resultado é muito mais efetivo quando eu cuido de mim mesmo, por meio de uma "autoanálise". Quem mais me ajuda, por me ouvir é a esposinha e o Badá (que talvez sinta sem ouvir o que digo, enquanto passeio com ele pelas ruas do condomínio)

O que chamo a atenção, aqui, é para a importância de primeiro equacionar esses sentimentos, essas situações recorrentes, para depois meditar. Depois de me sentir e me ouvir, fico mais tranquilo. E durante a meditação, pode até surgir um insight de como lidar com aquela situação incômoda ou recorrente. Podem ser medidas simples, pois nem sempre se tratará de uma solução espetacular. Chamo a atenção de que não se trata de resolver definitivamente a questão, para somente então poder meditar, até porque ela pode não ter solução. Em muitas vezes, basta esclarecer o que se puder e anotar que se vai tomar alguma providência, pelo menos. Isso já ajuda a distanciar para poder meditar.

No entanto, sempre valerá meditar para cultivar um estado de não ação, em que os insights se manifestam. Os indianos chamam esse estado de "ananda", "a graça divina de Brahma" (sem trocadilho ou patrocínio).

Thadeu Martins

 

      

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